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As baianas da Coroa Imperial foram as mais animadas e deram um show

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Presentes reclamavam por não poderem entrar com alimentos e valor do ingresso

O Sambódromo estava praticamente vazio. Cerca de mil pessoas ocuparam as arquibancadas do local, que tem capacidade para oito mil pessoas, e assistiram ao primeiro dia de desfile do Carnaval de Bauru.

A cobrança de ingresso pode ter sido um dos principais motivos pelo baixo público da noite. O valor de R$ 3,00 por pessoa assustou os bauruenses, que já não estavam mais acostumados a pagar para assistir ao espetáculo.

A proibição de não poder levar nenhum tipo de alimento e bebida ao Sambódromo também gerou polêmica na primeira noite de Carnaval. Muita gente levou alimentos e foi pega de surpresa porque não pôde entrar ao local dos desfiles com os alimentos. Magda Aparecida da Silva foi barrada na entrada porque estava levando uma sacolinha plástica com duas maçãs, duas garrafinhas de água e dois lanches.

Eu acho correto pagar para assistir aos desfiles, apesar do preço estar um pouco caro, mas não poder trazer comida é um absurdo. Nem todo mundo pode gastar dinheiro com comida dentro do Sambódromo, protestou Magda.

O puxador da Tradição da Bela Vista, Ulisses Frazão de Oliveira Tibúrcio, disse que a população bauruense não está preparada para uma mudança tão radical como a que impôs pagamento para o acesso às arquibancadas.

Ele sugeriu que, ao invés de cobrar R$ 3,00 pelo ingresso, os organizadores poderiam pedir um quilo de alimento não perecível e reverter isso às entidades assistenciais da cidade ou cobrar um valor menor, como R$ 1,00. Porque uma família gastaria com passes de ônibus, alimentação, bebidas e ingressos, ficando impossibilitada de voltar no dia seguinte, explicou Tibúrcio.

Dezenas de pessoas assistiram aos desfiles do lado de fora do Sambódromo, a menos de 100 metros da portaria. Essas pessoas não concordaram ou não tinham condições de pagar pelo ingresso, então, escolheram um lugar para ver o início do desfile de cada escola de samba. Elas conseguiam ver apenas a concentração das escolas.

Vale lembrar que 65% de toda receita arrecadada com a venda dos ingressos será destinada à Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas (Lesec) e 10% a entidades assistenciais cadastradas na Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

Quanto custa

O valor do ingresso, R$ 3,00, parece popular. Mas para uma família, o valor pesa no orçamento do mês, porque além dos ingressos, haveria gastos com transporte, bebidas e alimentação.

Uma família de quatro pessoas gastaria, só com os ingressos R$ 12,00, mais R$ 7,20 com passes de ônibus (um passe por pessoa na ida e um na volta), mais R$ 1,50 por uma lata de cerveja, mais R$ 1,00 por uma garrafa de 500 ml água, mais R$ 2,00 por duas latas de refrigerante e mais R$ 4,00 com salgados. O total gasto em uma única noite no Sambódromo seria de R$ 27,70.

Noite tranqüila

A primeira noite de Carnaval foi tranqüila. O ambulatório médico montado no Sambódromo fez 14 atendimentos, que variaram entre pequenos acidentes, como cortes, até consumo excessivo de álcool. Os médicos de plantão esperavam realizar cerca de 80 atendimentos na primeira noite.

A Polícia Militar também não registrou nenhum incidente grave. Uma briga envolvendo quatro rapazes, no final do último desfile e do lado de fora do Sambódromo foi o registro mais grave. Os policiais controlaram a briga rapidamente e ninguém se feriu.

Os policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) também não registraram nenhum caso de pessoas portando ou usando drogas.

O Carnaval é um período propício para divertimento, bebidas e drogas. Por isso, a Polícia Civil está realizando um trabalho preventivo nos clubes e no Sambódromo, para garantir noites tranqüilas para todos os foliões, disse o delegado da Dise, José Henrique Góes dos Santos.

Camarotes

A venda de camarotes está a contento, segundo Carlos Eduardo Padilha, sócio-proprietário da Equipe 1, empresa contratada para coordenar o Carnaval 2001 no Sambódromo, já que ainda restam alguns camarotes para serem vendidos.

Ele afirmou ainda que o pagamento de ingressos possibilitou um evento mais organizado. As barracas de alimentação e bebidas, por exemplo, foram padronizadas este ano, e os camarotes, decorados. O projeto comercial foi elaborado para que a Lesec se torne auto-suficiente nos próximos anos, concluiu Padilha.

Para obter muito mais informações sobre o Carnaval de Bauru leia outras notícias na editoria 'Carnaval'. Confira também fotos do agito dos foliões nos clubes da cidade, aqui no JCNet.

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