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Nem toda ajuda - ajuda

Vera Lúcia Lorenzetti Gelás
| Tempo de leitura: 2 min

Nesta época de Campanha da Fraternidade, quando a Igreja nos convoca a um compromisso com as vítimas da Droga, da Dependência Química, muitos de nós somos incentivados a nos envolver com essa luta e querer ajudar. Isso é louvável, contudo é necessário e imprescindível saber ajudar. É preciso aprender para ajudar, pois nem toda ajuda, ajuda.

Estranho, não?! Temos aprendido nesses anos todos de trabalho na área, que muito daquilo que nós fazemos pensando em ajudar, só vai piorar a situação. Por exemplo, quantas vezes erramos, protegendo o dependente, pagando suas contas, assumindo suas responsabilidades, compactuando com ele; quantas vezes facilitamos a vida dele, e, com isso, o prejudicamos. Minimizamos o problema, pensando e dizendo que ele só fuma uma maconhinha, que maconha não faz mal, que só bebe nos fins de tarde... que é problema de adolescência... quantas vezes controlamos a situação para evitar desentendimentos em casa, mentindo, escondendo, protegendo, consertando o que o drogadito quebrou, limpando o que ele sujou, para que outros não vejam.

É difícil saber quando ajudar e quando não ajudar, porque deixar de ajudar sempre é difícil, pois a culpa e o medo se apoderam de nós, e nos atrapalham. Nós nos tornamos escravos do dependente. Dizemos que nos tornamos codependentes, isto é, dependentes do dependente. Tudo o que ele faz de errado nos afeta e seus efeitos são potencializados em nós. Somos aqueles que sofremos junto com o viciado, mas não temos o prazer da droga. Enquanto o dependente é viciado em drogas, o codependente é viciado nos problemas do dependente, por isso todos precisam de tratamento.

Ajudar, pois, é orientar os pais, familiares e amigos a como agir com os dependentes e como criar uma situação para o dependente pedir ajuda. Preparar a família para lidar com o problema e saber receber o filho após período de internação. Levar a família a se congregar em uma igreja cristã, e em grupos de ajuda mútua. Levantar e formar líderes em nossa comunidade para lutar conosco.

Em Marília e por todo o Brasil temos grupos de Amor Exigente, que são grupos de auto-ajuda mútua, tanto para o dependente como para os familiares e amigos.

As reuniões de Amor Exigente em Marília são às segundas-feiras, às 20 horas, na Igreja Nossa Senhora de Fátima e todos são convidados a participar livremente.

(*) Colaboração de Vera Lúcia Lorenzetti Gelás - Coordenadora de Amor Exigente)

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