De acordo com balanço parcial, da Operação Carnaval, feito pela Polícia Rodoviária, nenhum acidente, com vítimas fatais, havia sido registrado até o começo da noite de ontem, pelos postos de Agudos, Botucatu, Jaú, Lins e Pirajuí. Segundo os policiais, o movimento ontem, nas rodovias que cercam a região, esteve tranqüilo o tempo todo.
Entretanto, abrindo um pouco mais o raio de abrangência e analisando os números apresentados até agora pelo 2º Batalhão da Polícia Rodoviária de Bauru, a situação piorou bastante em comparação ao ano passado. Sob a responsabilidade do 2º Batalhão está praticamente 1/3 de toda a malha rodoviária paulista. O trecho abrange rodovias que chegam até a divisa do Estado de São Paulo com Mato Grosso do Sul e também Paraná até Sorocaba.
Nessa área, que cobre cerca de 300 municípios, a Polícia Rodoviária de Bauru havia registrado, até o início da noite de ontem, dez vítimas fatais, contra apenas uma, no ano passado. Embora o número de mortes tenha aumentado, as estatística apresentada pelos policiais mostra que o número de acidentes, nesses três dias de Carnaval, diminuiu, em comparação ao mesmo período do ano passado.
O considerável aumento no número de vítimas fatais é atribuído à euforia e à bebedeira incontrolável de alguns motoristas, em sua maioria jovens. Registramos um acidente em Piacatu, região de Penápolis, cujas vítimas não tinham mais do que 21 anos. Ou seja, numa noite de Carnaval é previsível que haja muita farra e bagunça. Mas infelizmente, muitas vezes, acaba resultando em acidentes graves, contou o tenente Dário Birochi Veiga, do 2º Batalhão.
De acordo com levantamento feito pela Polícia Rodoviária, grande parte dos acidentes acontece momentos antes do início dos desfiles ou bailes carnavalescos ou a partir das 3 horas da manhã, quando os mesmos desfiles ou bailes estão acabando ou já acabaram. Os acidentes acontecem geralmente nessa hora, na chegada e na saída dos festejos, disse o tenente. Segundo ele, todos dias são registrados casos de embriaguez. Se não bastasse isso, continuou o tenente, temos também o lado psicológico do motorista, que é afetado pela euforia produzida pela festa em si. Isso, segundo Dário, também interfere no trânsito. A bebida influencia, mas o estado de espírito do folião também é decisivo para ocasionar ou evitar acidentes.
Historicamente, o último dia de Carnaval é o mais violento nas rodovias. Então, a tendência é que novos acidentes aconteçam e que o número de vítimas aumente, apesar das inúmeras recomendações feitas, todos os anos, pelos policiais aos motoristas. O abuso sempre é maior nessa época do ano. Parece que as pessoas ficam mais à vontade, sentem-se como se possuísem uma permissão psicológica para transgredir as regras de trânsito, acredita o tenente Dário.
Mesmo assim ele não deixa escapar a oportunidade de reiterar as recomendações. Para garantir uma viagem mais tranqüila e segura, ele sugere aos turistas que iniciem a viagem de volta à casa na parte da manhã. À tarde, a tendência é que as rodovias fiquem superlotadas. Por isso, o risco de um acidente aumenta. A chuva é outro fator que tradicionalmente influencia de forma negativa durante uma viagem. A pista torna-se escorregadia e os veículos passam a não obedecer corretamente os comandos. Esse seria mais um motivo para que a viagem fosse antecipada. Pois, segundo o próprio tenente, nessa época do ano é comum que ocorram chuvas à tarde. Manter uma distância razoável em relação ao veículo da frente e fazer uma revisão cuidadosa são outras duas recomendações feitas pelos policiais para garantir uma viagem menos arriscada.
A Operação Carnaval, realizada pela Polícia Rodoviária, termina as 12 horas de amanhã.