O desfile dos blocos anteontem no Sambódromo registrou duas desistências e uma estréia surpreendente. Tudo isso, de uma certa maneira, serviu como uma prévia do que iria acontecer naquela noite: Carnaval terminando mais cedo, às 2h10, e surpresas com a melhora do nível técnico das escolas de samba.
As desistências do Bloco dos Garis e do Bloco Líder foi confirmada pela Secretaria Municipal da Cultura por volta das 19h30. Com isso, o início do evento foi alterado para às 20 horas e os demais horários de entrada também sofreram mudanças.
O primeiro bloco a desfilar foi o Unidos da Nova Esperança. Com um carro alegórico e uma bateria numerosa, a agremiação do bairro, que é tido como reduto histórico de sambistas, fez um desfile animado para umas 150 almas. O friozinho pós-temporal, com um vento chato, nem chegou a atrapalhar a animação dos foliões.
Logo em seguida, despontou o bloco do lendário baiano, dono de um bar em frente ao câmpus da Unesp e conhecido pela boemia universitária desde o tempo do onça. A passagem foi até divertida pela despretensão. Sem puxador de samba, nem bateria, o Ubaianesp entoou o grito funk tá dominado, tá tudo domimado no meio do Sambódromo.
O terceiro bloco a entrar na passarela foi o Unidos da Vila Independência. Com 23 integrantes, apresentou o tema Cansei de ser palhaço todo dia, numa alusão à corrupção. O samba foi cantado por três puxadores, sendo acompanhado por apenas um cavaquinho.
Na categoria especial, o primeiro a desfilar foi o Flor da Laranjeira, do Núcleo Geisel. Estreante no Sambódromo, o bloco surpreendeu o público a desfilar com dois carros alegóricos com bom acabamento e quatro alas.
O bloco desfilou com o apoio da Coroa Imperial da Grande Cidade, também do Núcleo Geisel. Da escola, vieram o mestre Landinho e a bateria - incluindo os instrumentos. O resultado dessa parceria foi a defesa forte e competente do enredo Dos Indígenas à Maria que Virou Fumaça.
O desfile do Flor da Laranjeira foi animado, em razão de seus integrantes estarem cantando o samba com um sorriso nos lábios. Para ajudar, fantasias coloridas e bem feitas indicavam a preocupação em fazer um desfile bonito e gostoso de se ver.
O último bloco a desfilar foi o 21. + 1, do Núcleo Edson Francisco da Silva. Bastante animado, o grupo apresentou-se com um tripé, um carro alegórico e duas alas. A primeira trazia integrantes vestidos com palas alusivas às culturas do café e do trigo e o segundo, em fantasias em preto e prata, lembrava a locomotiva, que enfeitava o último carro. Tudo sincronizado e no horário. Às 22h30, como previsto, a Águia de Ouro já tinha a passarela liberada para desfilar.
* Colaborou Fabiano Alcântara.