As manhãs que sucedem os desfiles das escolas de samba em Bauru eram, nos anos anteriores, sinônimo de um pouco de dinheiro extra para os ajudantes gerais da Prefeitura Municipal, responsáveis pela limpeza do Sambódromo. Em meio ao lixo produzido pelo público, havia boa quantidade de recicláveis como latas de cerveja e refrigerante, bem como os lacres das latinhas, que eram juntados pelos catadores e vendidos por quilo.
Neste ano, a esperança de alguns trocados a mais no orçamento, se acabou já no primeiro dia dos desfiles. Isso porque as novas normas para o Carnaval não permitiram a circulação das pessoas com as latinhas pelo Sambódromo. Quem comprou cerveja ou refrigerante, foi obrigado a levar o produto em copos de plástico, de 300 ml. Com isso, as latinhas ficaram armazenadas com os barraqueiros.
Além disso, o pequeno público que compareceu aos desfiles, neste ano, e a ação dos catadores durante a madrugada não deixou vestígios de recicláveis no Sambódromo, pela manhã. Só sobra o lixo para nós, os papéis e os copos de plástico. A meninada fica de olho durante a noite para pegar as latinhas e quando a gente vem para limpar, às sete horas da manhã, já não tem mais nada, comenta o ajudante geral da Prefeitura, Milton Vasconcelos.
De acordo com ele, em anos anteriores, os catadores chegavam a juntar uma boa quantidade de recicláveis. O quilo do lacre das latas vale cerca de R$ 15,00 e o de latas amassadas, R$ 1,40.
Vasconcelos acreditava que a noite de ontem seria melhor que as três anteriores em função da transformação dos ingressos em um quilo de alimento. Com o aumento do público vai ficar mais fácil sobrar mais produtos recicláveis para a gente juntar. Na noite anterior a única coisa que eu achei foi um monte de moedas de dez centavos e de um real, comenta.
Para o funcionário Eduardo Ferreira dos Santos, a história não foi diferente. Ele não conseguiu juntar nada em recicláveis. Nos anos anteriores eu juntei pelo menos um pouco de latinha, cerca de cinco quilos, e deu até para vender e conseguir um dinheiro extra. Este ano está ruim, comenta.
Já o ajudante geral Sérgio Roberto Camargo, disse que, na noite de antes de ontem, conseguiu juntar meio saco de latas, o que corresponde a quatro ou cinco quilos de recicláveis. O mesmo não foi possível na noite de ontem. Não consegui juntar nada. Este ano está difícil, desabafa.
Todos os catadores estão esperando uma melhora na produção de lixo reciclável na manhã de hoje. Isso aqui vai pegar fogo. E ninguém vai sair triste daqui. Eu tenho certeza, comenta Vasconcelos.