Com fantasias completas e poucos integrantes, escola provou que merece Sambódromo
A simplicidade do Corinthians da Nova Esperança, primeira escola a desfilar anteontem, gerou empatia imediata no pequeno público que decidiu permanecer no Sambódromo após o forte temporal que lavou as arquibancadas e carros alegóricos.
A chuva, aliás, tirou o pouco brilho que restava das fantasias e dos carros alegóricos, murchando penas e plumas e arrancando alguns detalhes das alegorias. Mesmo assim, a Corinthians não desanimou e entrou na avenida disposta a mostrar que, se falta luxo, sobra-lhe dignidade.
Dignidade em assumir que é uma escola de samba com poucos recursos, oriunda de um bairro carente e que, apesar de todos os obstáculos, vai à avenida para permitir que seus integrantes sejam vistos, pelo menos dois dias ao ano, como artistas e não como marginais.
A Nova Esperança é considerada um reduto de sambistas. Não há como duvidar disso. Ontem, para comprovar essa tese, bastava observar a animação com que passistas desfilavam, sempre retribuindo as palmas com sorrisos fartos - e que sorrisos!
Por isso, um dos pontos altos do desfile foi a performance do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Evandro e Alzira. Com passos leves, desfilaram orgulhosos, não por estarem no foco das atenções, mas por poderem desfilar como suportes da bandeira da escola, que apresentavam cordialmente e respeitosamente ao público.
O brilho do casal de mestre-sala e porta-bandeira poderia ter sido maior se houvesse maior espaço para suas evoluções. O mesmo pode se dizer das alas de cabrochas e das crianças, vestidas como paquitas e paquitos da apresentadora Xuxa - representada logo atrás em um carro alegórico.
Antes de luxo, no próximo ano, a Corinthians da Nova Esperança precisa pensar na harmonia do conjunto, como forma de garantir a evolução precisa e vigorosa de seus integrantes.
Escola deve receber ajuda da Gaviões
Texto: Ricardo Polettini
A Corinthians do Nova Esperança deve contar com um reforço para seu Carnaval de 2002. O vice-presidente da agremiação, Wilson de Oliveira, confirmou, na segunda-feira, que a escola de samba paulistana Gaviões da Fiel se propôs a repassar à bauruense material de desfile e uma verba da ajuda de custo.
Oliveira contou que esteve reunido com a diretoria da Gaviões, quando recebeu a boa notícia. A ajuda da escola de São Paulo, que também promove o time de futebol, deve alavancar o desfile da Corinthians do Nova Esperança no ano que vem.
Oliveira também disse que outras oito agremiações do interior de São Paulo estão na lista da Gaviões para receber ajuda. Para isso, todas elas, inclusive a escola do Nova Esperança, devem participar de uma espécie de batizado.
Embora tenha realizado um trabalho este ano relativamente melhor que em 2000, a Corinthians ainda é, visivelmente, uma das escolas de samba mais pobres da cidade.
Mesmo cheia de problemas, a alegria tomou conta da escola na dispersão, logo após o desfile de segunda-feira. É que parte das alegorias e fantasias e um carro alegórico, que tinham ficado de fora naquela noite, desta vez entraram na avenida e mostraram o trabalho completo da agremiação.
Hoje saiu como eu queria, disse sorridente Tia Cida, a presidente da escola e componente da ala das baianas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, ausente no desfile de sábado, também desfilou na segunda.
Felizes, Dimeire e Téo acharam sua participação ótima. Segundo eles, a ausência no sábado ocorreu porque a pessoa encarregada de levar as fantasias ao Sambódromo não compareceu.
Outro integrante bastante alegre na dispersão era o Rei Momo da Corinthians, Antônio Alves Alzani, de 56 anos. Tenho quatro pontes de safena e ainda estou firme para brincar o Carnaval, festejou.