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Último dia de desfiles reúne 8 mil pessoas no Sambódromo

Redação
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No último dia dos desfiles de Carnaval no Sambódromo, as escolas de samba puderam contar, pela primeira vez no ano, com a participação da população, que preencheu os espaços vazios das arquibancadas, registrados nas noites anteriores. Grande parte das cerca de 8 mil pessoas afirmou que compareceu porque os ingressos puderam ser trocados por um quilo de alimento não perecível. O JC ouviu o público, que apresentou sugestões para os próximos anos.

O movimento na bilheteria, que arrecadou cerca de 10 mil quilos de alimentos, nas barracas e nas filas dos banheiros indicavam o diferencial da noite de terça-feira no Sambódromo, comparada às outras noites. Funcionários da Equipe 1, empresa responsável pela venda dos ingressos e organização do Carnaval, afirmaram que um número superior a 90% dos que compareceram optou pela troca dos ingressos por alimentos, embora a venda de ingressos tivesse sido mantida.

Às 22h30, o número de pessoas nas arquibancadas já passava de 6,5 mil, mas o movimento nos portões de entrada ainda era bastante intenso.

De acordo com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), o volume de água potável distribuída ao público nas cinco tendas instaladas no Sambódromo também aumentou bastante. O consumo foi de cerca de 30 mil litros. Foram necessárias diversas viagens para levar ao local os inúmeros galões de 30 litros.

Apesar do grande movimento, a Polícia Militar não registrou graves ocorrências. No posto médico montado no Sambódromo, o número de atendimentos aumentou em relação aos outros dias de desfile. No entanto, os casos mais graves foram uma cólica renal, uma crise de bronquite asmática e um ataque epiléptico, provocado pela interrupção da ingestão dos medicamentos que deveriam ser tomados pela paciente.

Alguns casos de alcoolismo também foram registrados. No mais grave deles, o paciente caiu, machucando o rosto e quebrando um dente. Ele foi encaminhado ao Pronto-Socorro Municipal Central.

A maior parte das pessoas mostrou contentamento ao ver o Sambódromo lotado. É o caso de Kelly Caetano Oliveira. Hoje está muito mais cheio, mais alegre, opinou. Márcia Aparecida Pícollo, que assistiu atentamente aos desfiles, já que estava em sua primeira noite de Sambódromo, acredita que a participação popular anima os foliões das escolas de samba. É chato uma escola de samba desfilar com tão pouca gente, constatou.

Entre os que estiveram assistindo aos desfiles pela primeira vez em 2001, muitos alegaram que vieram devido à mudança na cobrança dos ingressos, como Fátima Aparecida Soares. Eu só vim porque mudou o sistema, confessou.

Houve, ainda, os que criticaram a cobrança de R$ 3,00 sobre os ingressos nos dois primeiros dias, como Carlos Eduardo Martins. As pessoas pagam imposto todo o ano e ainda têm que pagar na festa do povo!, protestou.

Sugestões

O público também fez sugestões para o Carnaval de rua dos próximos anos. Entre elas, há pedidos para que as entradas para os desfiles voltem a ser gratuitas; outros acreditam que o sistema de alimentos funcionou. Já Márcia Aparecida, sugeriu que o preço fosse mais baixo. Poderia ser cobrado apenas R$ 1,00 para garantir todas as noites de Carnaval lotado.

Leda Fernandes Michelão considerou a mudança oportuna, mas sugeriu para os próximos anos um preço acessível ou a realização de uma pesquisa. Lazer o povo não tem mesmo. A única oportunidade é o Carnaval. Então, poderiam cobrar um preço apenas simbólico nos próximos anos. Também poderia ser feita pesquisa para ver o que o povo acha sobre o que pode ser feito, sugeriu.

Barraqueiros

As vendas nas barracas de alimentos instaladas no interior do Sambódromo também foram alavancadas com o público que compareceu na terça-feira. No entanto, os barraqueiros afirmam que o faturamento da última noite não foi suficiente para cobrir o prejuízo total. E eles reclamam ainda mais.

A vendedora Vânia Regina Bulhões da Silva, que montou uma barraca de pizza nas quatro noites de desfile,por exemplo, falou sobre o saldo final. Bruto, deu cerca de R$ 60,00 por noite. De lucro, eu não tive nem R$ 10,00, lamentou.

Ela concorda com Noemi Furlanetto Dias, da barraca de pastel, no que se refere ao preço cobrado dos barraqueiros para se instalarem dentro do Sambódromo nos próximos anos. R$ 250,00 por barraca já está muito bom, limitam.

As duas também falaram sobre a instalação elétrica para a colocação de lâmpadas nas barracas, que teve que ser paga pelos barraqueiros. Eu paguei R$ 50,00 só para colocar essa lâmpada, disse Vânia.

O que você sugere para o Carnaval dos próximos anos?

O Sambódromo foi feito para a diversão do povo e a entrada tem que voltar a ser gratuitaKelly Caetano Oliveira

Que a organização pense um pouco mais nos barraqueiros. Vânia Regina Bulhões e Noemi Furlanetto Dias

Que no ano que vem não cobrem a entrada e que a gente possa trazer comida de casa. Daiane Caldeira

Eu acho que tem que continuar de graça. Talvez um dia valha a pena pagarFátima Aparecida Soares

No ano que vem poderia ser igual a hoje, com alimentos para poder entrar. Ariana Batista Rodrigues

Poderia ser feita uma pesquisa para ver o que o povo acha sobre o que pode ser feito. Leda Fernandes Michelão

Poderia ser cobrado apenas R$ 1,00, garantindo assim todas as noites de Carnaval lotadas Márcia Aparecida Pícollo e Carlos Eduardo Martins

Hoje está bem melhor. Espero que nos próximos anos o Sambódromo esteja lotado também. Odair José de Oliveira

Eu vim porque liberaram a entrada com alimentos. Espero que no ano que vem não cobrem. Célia de Paiva Almeida

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