Escola que mais agradou este ano desfilou para 8.000 pessoas ontem de madrugada
O carnavalesco da Cartola José Horácio Gonçalves disse, na madrugada de ontem, que a escola pode homenagear o cantor sertanejo-romântico Daniel em 2002. A idéia, que atrairia os holofotes da mídia nacional para Bauru, é do próprio José Horácio, mas ainda não é consenso dentro da escola. Segundo ele, o vereador e integrante da diretoria da escola, Paulo Madureira, pensa em trazer um enredo sobre um empresário bauruense de sucesso, cujo nome é segredo.
A escola voltou a desfilar ontem de madrugada, desta vez com um bom público no Sambódromo, 8.000 pessoas. Estou muito feliz, hoje a escola entusiasmou. O público reconhece o trabalho, afirmou José Horácio, um dos primeiros a defender o fim da cobrança de ingressos.
Segundo o carnavalesco, homenageando ou não o cantor Daniel, a escola vai manter o alto nível no próximo ano. No segundo desfile, a escola confirmou a boa fase e conciliou técnica, exuberância e raça na avenida.
A bateria veio numerosa e impecável nas paradinhas. Uma pena ainda a falta do recuo de bateria, cada vez mais necessária para as escolas grandes. Para se ter uma idéia, quando um último carro da escola, o dos anjos, entrava na pista, a comissão de frente chegava à dispersão. Um assombro o desfile da Cartola, que conquistou o carregou o público para o Sambódromo.
Águia e Tradição
Nos outros desfiles da noite, a Águia de Ouro tinha tudo para melhorar a sua performance de domingo, que já tinha sido boa, não fosse a quebra do carro abre-alas. Dessa vez, no entanto, o azar foi com a porta-bandeira, que passou mal e teve que ser carregada. Fora isso, a escola mostrou riqueza e criatividade. O carro da favela tinha um bar com os destaques César e João, duas figuras que não mediram o esforço de enxugar várias pingas para dar realismo ao desfile da Águia. Vou dormir aqui no carro, vou ficar uma semana aqui. A Águia é dez, o Carnaval de Bauru é dez, bradou João Domingo dos Santos ao final do desfile.
Um dos responsáveis pelo êxito da escola, o carnavalesco Émerson Branco agradeceu ao apoio que recebeu da comunidade da Bela Vista e dos talentosos carnavalescos Paulo Faneco e Jorge Santana. Fiz o que deu para fazer esse ano. Quero melhorar mais e levar a Águia para um vôo alto, que tudo mundo possa ver, disse o carnavalesco estreante, de 18 anos.
A Tradição da Zona Leste está cada vez mais próxima de figurar entre as maiores escolas de Bauru. O desfile de terça-feira mostrou um belo trabalho da agremiação do Mary Dota, desde a concentração até a dispersão.
Com a ausência da Mocidade, este ano, a Tradição torna-se forte concorrente a disputar as primeiras colocações. Na dispersão, a festa era geral. O presidente Chiquinho Saes, também uma espécie de faz-tudo na escola, corria de um lado para o outro para resolver pequenos contratempos e custou a arranjar uma brecha para atender a reportagem.
Feliz e sorridente, estava superconfiante. Se não chegarmos a primeiro, pelo menos o segundo lugar será nosso, disse. Tecnicamente, a escola foi muito boa, nosso mestre-sala deu um show e o samba, fácil de pegar, ganhou ainda mais força com a participação do Mauro Pirata (autor, membro da escola paulistana Leandro de Itaquera), completou.
Com razão, um dos pontos altos do desfile da Tradição, o samba, era cantado por todos os integrantes, inclusive pela bateria. Musicalmente, foi a melhor escola deste Carnaval, com belo arranjo de bateria, comandada pelo jovem mestre Cocão, 22 anos, que deixou falando alto tamborins e cuícas. O coro dos integrantes, somado à boa interpretação dos puxadores, só não foi melhor por culpa do sistema de som do local.
Isso não só no desfile da Tradição, mas em todos. Durante a passagem das escolas, não se ouvia, pelos alto-falantes, o som da bateria.
Com alas e fantasias bastante coerentes com o enredo Negro: Guerreiro de Real Valor, a escola também levou à avenida belos destaques. A Tradição cresceu, isso ninguém pode negar. A Cartola que se cuide.
*(colaborou Ricardo Polettini)