Geral

Carnaval perde impulso, diz Nilson

Por Fabiano Alcantara | Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Nilson diz que Prefeitura não pode adotar postura assistencialista em relação ao Carnaval e defende cobrança de ingressos

Munido com duas folhas de papel, impressas de um site da Internet com os preços dos ingressos para o Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo, o prefeito de Bauru, Nilson Costa (PPS), chegou ao camarote do Jornal da Cidade no Sambódromo, na segunda-feira, pronto a rebater as críticas de que a cobrança de R$ 3,00 no Carnaval afastou o público do Sambódromo este ano. O prefeito foi um dos entusiastas da cobrança do ingresso, a preço popular. Da mesma forma, ele também foi um protagonistas da troca de ingressos por um quilo de alimento não-perecível. Para garantir o fim da cobrança, ele assumiu a compra de 8 mil ingressos em um dos dias, gerando um gasto de R$ 28 mil. Leia a seguir, trechos da entrevista em que o prefeito comenta a ausência de público no Carnaval e as críticas que sofreu por investir na festa.

Jornal da Cidade - Por que vocês decidiram voltar atrás na cobrança de ingressos?Nilson Costa - De certa forma, o ingresso não está sendo gratuito, as pessoas estão trazendo um quilo de alimento não-perecível. E a prefeitura está patrocinando estes dois dias de arquibancada, a fim também de colaborar para reduzir os prejuízos. Uma coisa a gente tem que reconhecer, o Carnaval está muito bem organizado, disciplinado, no horário. A população está ficando menos tempo no Sambódromo, pode ir mais cedo para casa, com muito mais garantia de segurança. De modo que isso tem um preço, então a Prefeitura decidiu colaborar para que a população pudesse ver o Carnaval e melhorar a situação das entidades filantrópicas

Jornal da Cidade - A que o senhor atribui o baixo público?Jornal da Cidade - Eu imagino que o Carnaval está perdendo o seu impulso. Eu me lembro dos tempos aí não muitos distantes que o Carnaval dos clubes era vibrante. Uma mesa no BTC, por exemplo, era disputada 60 dias antes. Hoje a situação é totalmente diferente. Acredito que os clubes terão até que repensar o Carnaval. Eu acho que a classe média está se afastando do Carnaval. E a classe média é impulsionadora de todos os espetáculos. A massa não tem como manter os carnavais. A cada ano nós vemos que as dificuldades financeiras influem nos espetáculos populares.

Jornal da Cidade - Então não seria contraditório cobrar ingressos?Nilson - Se nós estivéssemos cobrando como São Paulo, Rio e Salvador seria um pecado mortal. Mas em São Paulo a arquibancada para o grupo especial custa de R$ 25,00 a R$ 50,00. No Rio, de R$ 25,00 a R$ 210,00. O Camarote para o Rio custa R$ 35 mil. É preciso que haja uma boa vontade. Os espetáculos custam dinheiro, a Prefeitura não pode cobrir totalmente o Carnaval, a título de assistencialismo. O espetáculo deve custar alguma coisa, os artistas devem receber para proporcionar o espetáculo. É justo que se proporcione ao bloco, à escola, condições de melhorar de ano para ano.

Agora, eles não podem depender apenas da subvenção da prefeitura porque aí a população reclama que a Prefeitura está gastando de maneira inadequada.

Há lugar para tudo. Para asfalto, combate à erosões, para arte, cultura e Carnaval. Eu, enquanto puder, vou manter o Carnaval de Bauru. Os erros, por ventura verificados este ano, nós vamos corrigir no ano que vem.

Pergunta - Uma grande parte do dinheiro da Secretaria Municipal de Cultura vai para o Carnaval, o senhor acha isso certo?Nilson - Eu não acho que é uma grande parte. Se nós temos um investimento de R$ 27 milhões em educação, R$ 25 milhões em saúde e R$ 220 mil em Carnaval, eu acho que é uma gota o que se aplica no Carnaval.

Pergunta - Mas o orçamento da cultura é R$ 800 mil...Nilson - Mas aí não serve de base. Na medida em que nós usamos verba da Secretaria de Cultura no Carnaval. Ao longo do ano, através do excesso de arrecadação, nós procuramos recompor a Cultura para que ela possa cumprir seus objetivos.

Pergunta - O Carnaval não deveria estar relacionado a uma pasta da Prefeitura ligada ao turismo?Nilson - Eu vou lhe dar um exemplo. Antes, quando nós não tínhamos um teatro, era praticamente impossível trazer uma peça de artista famoso para Bauru. Nós não tínhamos instalações, não tínhamos qualidade técnica para oferecer um bom espetáculo. Hoje, através dos contratos que a Cultura tem feito, temos trazido bons espetáculos e a Cultura participa na renda. Nós não dispendemos nada, o município arrecada com esta vinda das grandes companhias, arrecada o suficiente para bancar projetos junto a periferia de Bauru.

Comentários

Comentários