Geral

Período da Quaresma requer jejum, oração e penitências

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A Quarta-feira de Cinzas dá início ao período batizado pelos cristãos de Quaresma. Durante 40 dias, os cristãos devem se preparar para a celebração da Páscoa, a ressurreição de Jesus, a passagem da morte para a vida eterna. É uma época de penitências e privações, num conjunto de ritos que se repetem há centenas de anos.

De acordo com o padre Jesus Bringas Trueba, da Paróquia São Sebastião, a ressurreição de Cristo foi o fato que mais marcou os Apóstolos. Inicialmente, celebrava-se o domingo - primeiro dia da semana - como o Dia do Senhor. Com o tempo, sentiu-se a necessidade de aumentar a intensidade desta celebração e criou-se o dia da Páscoa, a festa da vida.

Ainda parecendo pouco, os três dias que antecediam a Páscoa foram denominados santos e o cristão começava a celebrar já na Quinta-feira Santa. Ainda era pouco, então, multiplicaram sete por sete - sete é o número da plenitude -, somaram um e acrescentaram mais 50 dias, quando se celebra o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, como resultado da Páscoa.

Mas os cristãos ainda estavam insatisfeitos e decidiram respeitar os 40 dias que antecediam a Páscoa. Segundo Pe. Jesus, 40 é um número simbólico: Na Bíblia, significa um tempo que você precisa para se preparar. Foram 40 dias de dilúvio para preparar o povo para uma nova humanidade; Moisés ficou 40 dias no Sinai para se preparar para receber a Lei do Senhor; o povo ficou 40 anos no deserto para se preparar para entrar na terra prometida.

Neste sentido, o padre explica que a Quaresma é um tempo de reflexão, profundidade e graça, onde Deus se oferece para uma reconciliação com o ser humano. Neste período, o cristão deve jejuar, orar e oferecer esmolas.

Mas tudo isso deve ser interpretado em seu sentido mais profundo. O jejum é a sobriedade. Você deixa de lado o excesso de alimentação para mostrar domínio sobre seu lado instintivo. É também um jejum do mal, jejuar de relações conflituosas, opressoras. É a privação de algo para o crescimento da relação positiva entre os seres humanos.

A esmola seria, segundo o padre, a auto-doação. Neste período, o cristão deve dedicar mais tempo para o próximo, doando-SE em ajuda aos necessitados. E a oração representa um tempo de reconciliação com Deus, tempo para falar mais com Ele, ouvi-Lo, suplicar, louvar, cultivar a dimensão mais profunda do ser humano.

Houve uma época, na Idade Média, em que comia-se muita carne, principalmente na Europa. E ter carne à mesa em abundância era sinônimo de riqueza, status, poderio. Então, pensou-se na abstinência da carne como preparação, desintoxicando o organismo e provando o domínio. Naquela época, abster-se de carne era algo muito custoso. Com o tempo, mudaram-se os costumes, mas ficou o símbolo, lembrando-nos de que precisamos renunciar para desenvolvermos a vida.

Pe. Jesus ressalta que muitas pessoas fazem um jejum permanente. São aquelas que não têm carne para comer. O que é recomendado, de fato, é a prática da caridade. É cumprir as promessas do batismo de amar ao próximo, amar a Deus, buscando o auto-aperfeiçoamento. É importante manter os ritos, mas eles têm que vir acompanhados de um sentido interior (de preparação). Assim, está-se preparando para passar da morte para a vida. Eu desejo a todos que, neste tempo, consigam passar de suas mortes particulares à vida, conclui.

Comentários

Comentários