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MÚSICAS E VIOLÊNCIA

Solange Bentes Jurema
| Tempo de leitura: 1 min

É com indignação que o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher vem a público manifestar seu repúdio em relação a certos temas musicais veiculados atualmente na mídia brasileira, que apologizam a violência contra as mulheres. Acreditamos que a música, enquanto uma das manifestações artísticas mais sensíveis da experiência humana, deva ser um instrumento de libertação da humanidade e não um veículo por meio do qual se constroem e repõem violências morais sobre aqueles e aquelas que a ela dão forma, conteúdo e sentido.

Vemo-nos, pois, diante de um dilema: como defender a não-violação do direito à liberdade de expressão, sabendo que, em alguns casos, certas músicas são instrumentos de opressão na medida em que trivializam e banalizam uma das manifestações mais cruéis da violência contra as mulheres: a agressão física.

Dentre as várias atribuições do CNDM está a de sensibilizar toda a sociedade para a questão da violência contra a mulher. É isso que desejamos fazer com esta nota: chamar a atenção de todos para o duplo insulto moral que tem atingido milhares de mulheres brasileiras. Além de serem vitimizadas por inúmeros tipos de agressões - físicas e simbólicas, as mulheres, ao escutarem tais canções, são obrigadas a conviver com um discurso moral que legitima socialmente as agressões das quais são vítimas. Reiteramos, pois, nossa posição em relação às mais diversas manifestações artísticas: que elas sejam instrumentos de libertação e não de opressão. (Solange Bentes Jurema - presidente do CNDM/Conselho Nacional dos Direitos da Mulher )

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