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Informalidade atenua pressão sobre o governo

(*) Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O mercado de trabalho é extremamente dinâmico. Milhares de jovens ingressam nesse mercado, a mobilidade da mão-de-obra é uma constante, e, cada vez mais, cresce o número de pessoas que migram para a informalidade. São trabalhadores que, uma vez alijados do mercado formal, com garantias sociais, começam a viver de bicos, ou se sujeitam a trabalhar sem carteira assinada.

Segundo estudos do economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, dos 69 milhões de brasileiros que trabalham, 60% (41 milhões) estão no mercado informal. Outros dados reveladores da pesquisa: a) 70% dos trabalhadores informais estão em cidades com menos de 200 mil habitantes; b) 51,3% dos pobres brasileiros pertencem a famílias chefiadas por trabalhadores do setor informal. A renda per capita dessas pessoas é inferior a R$ 76,00 mensais; c) Nas áreas rurais a proporção de informais é de 54%. Nas capitais 17,5% e na periferia das grandes cidades é de 19,5%.

Vejam que os números são assustadores. Isso nos remete a uma reflexão mais abrangente: até onde avançamos ampliando as garantias sociais na Constituição de 88? Será que as conquistas como adicional de férias, licenças maternidade e paternidade, multa de 40% no FGTS quando ocorre dispensa sem justa causa, efetivamente beneficiaram os trabalhadores? A internacionalização da economia não foi efetuada em uma velocidade acima da capacidade de reciclagem de nossos trabalhadores? Cada qual faça sua reflexão.

Podemos sim avaliar como certo, que a informalidade atenua a pressão da sociedade sobre o governo. Imaginem esses milhões de brasileiros dizendo não à informalidade. Sem dúvidas as estatísticas de desemprego seriam outras e teríamos que criar condições de abrigar no mercado de trabalho essas pessoas.

Neste começo de milênio é lamentável que não tenhamos evoluído o suficiente para equacionar a relação capital/trabalho e nos percamos no jogo corporativista dos segmentos da sociedade. Reflitamos sobre essas questões.

(*) Reinaldo Cafeo - Delegado do Corecon - cafeo@economiaonline.com.br www.economiaonline.com.br.

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