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SENHOR DIRETOR REGIONAL DE ENSINO DE BAURU

Marcos Alexandre de Lima e Silva
| Tempo de leitura: 3 min

Venho por meio desta tornar público o meu repúdio às declarações estapafúrdias feitas por V.S. à direção e corpo docente da Escola Estadual Stela Machado.

Confesso que estou abismado e surpreso com suas afirmações, pois, durante quatro anos de minha vida freqüentei a referida escola, cursando o Magistério. Durante minha permanência nessa unidade nunca presenciei aulas maçantes; ao contrário, desfrutei do ensino de professores gabaritados, competentes, comprometidos com a causa da educação e verdadeiramente engajados na luta pela melhoria da qualidade de ensino da escola pública.

Enquanto professor e educador, penso que o uso de câmera no banheiro vem explicitar um problema que afeta não só a Escola Estadual Stela Machado, mas a toda a rede pública do Ensino Oficial de São Paulo: a relação professor-aluno.

A questão dessa problemática extrapola os limites impostos pelos muros que circundam a escola. Ela é mais abrangente e vai muito mais além da mera imagem do aluno usando banheiro. É do conhecimento da opinião pública que toda a sociedade atravessa por uma crise de valores, o que afeta, sem dúvida nenhuma, a relação professor-aluno.

O suposto fracasso do método de ensino da escola, citado pelo senhor, nada mais é do que reflexo, não da incompetência da diretoria da escola e dos professores como o senhor afirma mas, fracasso sim, da sociedade como um todo, inclusive daqueles que ocupam os altos escalões da educação e ficam em seus gabinetes teorizando a respeito e a despeito da prática educativa pedagógica, sem realmente vivenciarem como ela se dá no interior das escolas.

Quanto à suposição de que existe erro com a diretoria da escola, posso dizer que esta sempre se fez muito presente e atuante no que envolve o processo de ensino-aprendizagem, e que esta escola tão enxovalhada em sua opinião, goza de boa reputação e de grande prestígio de ser uma das melhores da população bauruense!

No que diz respeito à sua nomeação para ocupar o cargo mais importante da educação regional, creio, sinceramente, que houve um erro de adequação lingüística ao lhe atribuírem o termo estrangeiro, já que este se aplica a pessoas originárias de outro país, o que não é o seu caso. O senhor, com todo respeito, está mais para forasteiro, no sentido de que há um estranho entre nós, alguém que veio de fora. Por que estou dizendo isso?

Porque é sabido no meio educacional que a ex-dirigente ocupava o cargo por ter projeto de trabalho aprovado pela Secretaria de Estado da Educação e, que assim como ela, outros muitos bem capacitados também apresentaram projetos, que foram classificados. Pergunto: por que não se seguiu a listagem de classificação para substituição do cargo de Dirigente Regional de Ensino? Será que dentre os classificados não existe ninguém capaz de estar à frente da Diretoria Regional de Ensino de Bauru? Por que se precisou de uma pessoa vinda de fora para administrar a Diretoria?

Não posso acreditar que aqui em Bauru, uma região fortemente estabelecida, educacionalmente falando, sofra carência de alguém que possa dar suporte ao trabalho realizado na DRE

Por isso, senhor diretor regional de Ensino de Bauru, Jair Sanches Vieira, será que todas as críticas feitas por V.S. e dirigidas à direção e corpo docente da Escola Estadual Stela Machado não fazem parte de seu intento de sucatear escolas estaduais, começando por denegrir e atacar a imagem de todos aqueles que a fazem, para cumprir com seu objetivo, de municipalização do ensino?

Professores, até que ponto podemos ser responsabilizados pelo fracasso escolar? Se a aula não está interessante, a culpa é do professor! Se o aluno não aprende com sucesso, a culpa é do professor! Se o aluno não tem disciplina para com os estudos, a culpa é do professor! Onde está a sociedade? Onde está a família? Onde está o aluno que também deveria estar preocupado com seu sucesso escolar?

O bom mesmo, senhor dirigente, é quando professores são agredidos em sala de aula, sendo esfaqueados pelos próprios alunos, ou, então, quando alunos adentram os portões escolares portando armas, quando gangues tomam conta das escolas exigindo pagamento de pedágio dos alunos.

A desumanidade está demais! (Marcos Alexandre de Lima e Silva - RG: 27.176.367-X)

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