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Mãos à obra

Redação
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Começa hoje a semana de lançamento do Movimento Mão Caipira, que pretende alavancar o trabalho dos artesãos de Bauru e região

Tem início hoje a semana de lançamento do Movimento Mão Caipira (leia manifesto nesta página). Até sexta-feira, diversas atividades culturais estarão acontecendo no Espaço Cultural Yázigi (Praça D. Pedro II, 2-55, Centro).

Durante o transcorrer da semana, o Espaço vai abrigar uma exposição do artesanato regional, mostra de técnicas apresentadas por artesãos da região, comidas caseiras, palestras sobre artesanato e cultura (em vídeo), filmes sobre o universo rural brasileiro e diversas apresentações artísticas.

Hoje, às 16 horas, será apresentada a palestra do sociólogo Ralf Campos, coordenador geral do Movimento, sobre o Projeto Mão Caipira e o Movimento Mão Caipira.

Às 17 horas, será exibido o filme de André Klotzel, Marvada Carne e às 19h30, haverá uma apresentação de danças pela Academia Corpo Livre. A entrada é gratuita.

Leia na íntegra manifesto do movimento

O Movimento Mão Caipira é um espaço social, organizado e democrático, composto em seu núcleo por artesãos e entidades de artesãos da região centro-oeste paulista. Agrega, ainda, em seu interior culinaristas e artistas de diferentes manifestações da cultura popular.

O Movimento Mão Caipira retira seus objetivos e sua conformação do Projeto Mão Caipira que se distende, em dois objetivos básicos que só podem ser separados para efeito de explicação: preservação e resgate histórico-cultural e organização regional de artesãos do centro-oeste paulista para garantir as condições de competir nesse mercado globalizado.

Toma como base de sua existência estimular o resgate e a preservação da cultura popular e, de forma mais específica, do artesanato, e coloca como foco de sua atenção a cultura caipira, fruto de uma sabedoria coletiva, que ainda não recebeu o reconhecimento social que lhe é devido.

Para cumprir sua finalidade, o Movimento Mão Caipira procura ampliar o espaço de cidadania com a organização dos artesãos e agregados. Pois entende que cidadania, enquanto parcela de soberania popular, se tomada individualmente, é uma função passiva. Assim como o indivíduo isolado se mostra impotente quando confrontado ao poder econômico na sociedade civil. Para isso os artesãos se organizam no Movimento Mão Caipira, de um lado, para dar conta da tarefa que se propõem, de outro, para cobrar dos Poderes Públicos as suas responsabilidades. Para alcançar seus objetivos o Movimento Mão Caipira considera necessário, em primeiro lugar, repor a função principal do artesão, hoje tão confundida com outras formas de trabalho que cumprem apenas uma função econômica. A função principal do artesão é cultural. Pois, apenas com a preservação das técnicas o artesanato pode ter outras funções derivadas, seja como instrumento de atração turística, como posto de trabalho, ou como parte de um lazer ativo.

O artesão, cuja expressão é resultado da habilidade manual, agindo sobe a matéria bruta ou semi-elaborada, aparece como um construtor cultural, imprimindo, em cada peça finalizada, não apenas sua marca pessoal e intransferível, mas todo um conhecimento prático acumulado e deixado pelos antepassados. Valendo-se de técnicas herdadas, dedica-se ao fazer criativo e faz, desse ato, uma forma de expressão cultural e de sobrevivência econômica. Não uma simples reprodução do que já foi feito, mas que, através de seu fazer - modelando, reelaborando, modificando -, ele acrescenta novos conhecimentos, novas técnicas, novos materiais, numa leitura historicamente localizada, reescrevendo a prática artesanal.

Dessa forma, o Movimento Mão Caipira se alicerça para lançar a logomarca Mão Caipira que, com base em uma pesquisa histórico-cultural, apresentará peças artesanais e uma culinária típica, utilizando-se da variedade das técnicas da cultura caipira, bem como apresentará como temática o seu rico universo simbólico.

Através de objetivos claros e bem definidos, o Movimento Mão Caipira pretende, utilizando-se de instrumentos do mercado globalizado, demarcar a importância da cultura caipira, preservando suas técnicas e seu universo simbólico, ao mesmo tempo que garantir a preservação do artesanato, permitindo aos artesãos uma vida digna.

Bauru, 5 de março de 2001.Coordenação Geral do Movimento Mão Caipira

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