Alguns moradores da Vila Santista, em Bauru, estão tendo problemas de saúde e acreditam que eles são decorrentes da água que é distribuída ao bairro. Eles tentaram pedir uma análise da água para o Instituto Adolfo Lutz, mas pelo alto valor cobrado, de R$ 50,00 a R$ 187,00, dependendo do tipo de avaliação, não tiveram condições de realizar essa análise de forma particular.
O que os moradores da Vila Santista não sabiam é que basta acionar o Departamento de Vigilância Sanitária (DVS) da cidade para que esse serviço possa ser feito, através do mesmo Instituto, de graça.
Essa informação foi dada pela diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena de Abreu, que prometeu avaliar o caso dos moradores da Vila Santisra até a próxima semana. Ela explicou que o caso não foi notificado e, por isso, até agora, não foi feita uma análise da água no local.
De acordo com Maria Helena, há uma parceria com o Adolfo Lutz e também com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), que é o responsável pelo tratamento da água, para realizar a análise de rotina na ciadade. O trabalho será feito em pontos aleatórios.
Maria Helena explicou que até o momento a responsabilidade de análise de água era da Vigilância Sanitária do Estado. Nós recebemos um treinamento, estamos comprando material, equipamento e, em breve, nós mesmos faremos uma análise de rotina para checar a qualidade da água servida, contou.
A diretora explicou que o DAE tem que fornecer um boletim de controle de qualidade ao DSC, mas esse trabalho ainda não foi iniciado porque o Departamento ainda está se preparando para estar adequado para fazer a análise de rotina, que deverá ser realizada, de acordo com Maria Helena, no mínimo, quatro vezes por ano em todos pontos.
Independente desse novo trabalho, quando existe suspeita de que a água não está boa, o DAE deve ser acionado porque é o órgão responsável pelo tratamento, mas no caso em que a pessoa queira mais uma comprovação da qualidade da água, ela pode contactar a Vigilância Sanitária, que vai colher a água e fazer mais uma análise através do Adolfo Lutz.
Nos casos de diarréia, Maria Helena explicou que a Vigilância é sempre notificada e faz uma investigação para ver se o problema é na água, em algum alimento ou na escola.
Alimentos contaminados
Quando há suspeita de alimento contaminado em bares, restaurantes, feiras ou supermercados, também deve-se acionar a Vigilância Sanitária.
Maria Helena explicou que em relação aos alimentos há uma rotina de fiscalização. Pelo menos uma vez ao ano passamos nos estabelecimentos para fiscalizar quando há a renovação do alvará, afirmou. Além disso, ela disse que, de vez em quando, fiscais passam por alguns locais, seja de rotina ou por envolvimento de alguns estabelecimentos com intoxicação alimentar. Quando existe uma suspeita desse envolvimento, fazemos a vistoria de imediato, tanto na área física, na parte de higiene quanto na coleta de alimento para verificar se o alimento está em boas condições ou não, afirmou.
Nos casos de intoxicação, alteração de alimento ou venda de alimento vencido, a Vigilância deve ser acionada para providenciar as medidas adequadas.
A Vigilância Sanitária de Bauru pode ser acionada através do telefone: 235-1458.
Higiene é importante
A diretora do DSC explicou que, em alguns casos, o DAE fornece uma água de boa qualidade, mas ao chegar na casa do munícipe, a caixa dágua pode não estar higienizada, contaminando-a.
A orientação é de que a torneira por onde chega a água da rua deve ser sempre bem limpa e nunca se deve tomar água diretamente da torneira. A caixa dágua também deve ser lavada periodicamente com cloro ou água sanitária no mínimo uma vez por ano. Além disso, a caixa deve estar sempre bem tampada, por dois motivos: para manter a limpeza da água e para não cair insetos. A caixa dágua sem tampa pode se tornar um criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
Algumas doenças que podem ser transmitidas através da água
Basicamente, são quatro tipos de transmissão de problemas de saúde em relação à água. Pode haver transmissão de diarréia e desinteria através da cólera, que é uma doença trasmissível que atinge o intestino e é causada por um bacilo chamado vibrião colérico (vibrocholerae); da salmonelose; da febre entérica, que é a febre tifóide, e da hepatite A, que transmite o hepatovírus (hepa-RNA vírus), constituído de ácido ribonucléico, pertencente à família Picornaviridae. Nesse caso, o modo de transmissão pode ser fecal-oral, de uma pessoa para a outra (direta e indiretamente), por veiculação hídrica, alimentos contaminados, etc.
Um outro tipo de transmissão acontece quando a pessoa não tem uma higiene adequada em relação à água, dando espaço para a transmissão da escabiose, que é a sarna, e o tracoma, inflamação nos olhos.
Há também a transmissão quando o homem entra em contato com um agente no meio aquático e transmite uma doença como a esquistossomose, por exemplo.
O último tipo de transmissão se dá através de um inseto vetor que procria na água como a dengue, um mal transmitido pelo vírus Flaviviridae. A doença tem altas chances de cura, mas pode matar, e já é considerada, no Brasil, uma epidemia. Conhecida como febre amarela, é um doença febril aguda, de curta duração, de gravidade variável, causada por vírus e transmitida por mosquitos fêmeas infectadas. Pode ser de dois tipos: febre amarela urbana e febre amarela silvestre, a malária e a filariose.