Geral

Presos envolvidos na rebelião da Penitenciária II são transferidos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Vinte e três presos dos cerca de 80 envolvidos na rebelião ocorrida na Penitenciária II de Bauru na última sexta-feira foram transferidos, assim como os cinco detentos que teriam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e estavam no presídio de passagem, com destino a outras unidades prisionais. Apesar de o motivo da rebelião não ter sido a presença dos cinco detentos que teriam ligação com o PCC, segundo a direção da PII, o clima no presídio ainda não estaria tranqüilo.

O diretor da PII, Aerton Alves de Assis, disse que o motivo da rebelião foi a desconfiança, por parte de alguns presos, que entre eles havia simpatizantes do PCC. Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindicop), Ramon Álvaro dos Anjos Souza, disse que o motivo foi a transferência dos cinco detentos. Os detentos da PII, segundo ele, estariam determinados a acertar as contas com os cinco integrantes do PCC.

Os presos das penitenciárias de Bauru e Pirajuí são ligadas a outras facções, como o Primeiro Comando Caipira (PCP), que são rivais do PCC. Para o presidente do Sindicop, que representa 550 agentes penitenciários de Bauru e Pirajuí, a transferência de um integrante do PCC para os presídios de Bauru e Pirajuí ou a simples suspeita de que existe algum detento ligado a essa facção criminosa nesses presídios pode ser suficiente para desencadear outra rebelião. Por isso, segundo Souza, os agentes estão trabalhando sob tensão.

Os 23 detentos da PII foram distribuídos entre vários presídios do Estado de São Paulo. Os cinco detentos que teriam ligação com o PCC e estavam no setor de triagem da PII no dia da rebelião originários de presídios de Pirajuí, Assis, Iaras e Penitenciária I de Bauru, foram transferidos para outras unidades prisionais.

Na revista feita logo após a rebelião, os agentes penitenciários recolheram 90 estiletes e 200 pedaços de ferro nas celas e outras áreas do presídio, segundo o diretor da PII, Airton Assis. Souza ressaltou que apesar da grande quantidade de armas brancas recolhidas, em pouco tempo os presos podem se armar novamente, já que usam como material pedaços de ferro retirados das grades das celas e até das próprias camas.

A visita no último domingo ocorreu sem incidentes, segundo Assis. Ontem, de acordo com ele, foi feita uma limpeza no presídio em decorrência da queima de alguns colchões e quebra de vidros na sexta-feira, que contou com a ajuda dos próprios presos. Os 12 detentos feridos na rebelião, pela Polícia Militar e em briga entre eles próprios, já voltaram para a PII.

Tanto o diretor da PII quanto o presidente do Sindicop elogiaram a ação da Polícia Militar na rebelião de sexta-feira, quando os detentos invadiram a cozinha e a administração. Para Assis e Souza, se os policiais não estivessem na PII para fazer a remoção de presos e tivessem agido imediatamente, o resultado poderia ter sido muito pior. A PII tem capacidade para 538 detentos, mas abriga, em média, mais de 800 presos.

Policiais e presos feridos serão ouvidos nesta semana

O delegado Dinair José da Silva, do 1.º Distrito Policial, que conduz o inquérito policial que apura a ação da Polícia Militar na rebelião na PII quer ouvir, ainda nesta semana, os três detentos feridos à bala e os policiais que efetuaram os tiros. Ele explicou que quer rapidez nas oitivas porque os detentos podem ser transferidos, o que dificultaria mais ouvi-los depois, e a celeuma do caso em função do boato de que a rebelião foi causada por membros do PCC.

A direção da PII, de acordo com Aerton Alves de Assis, já instaurou sindicância administrativa para apurar a responsabilidade dos funcionários na rebelião. O Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista, através de seu departamento jurídico, também quer saber se houve ou não negligência de funcionários da PII na rebelião.

Comentários

Comentários