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PMDB quer despertar a consciência feminina

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Os homens que se cuidem. O Movimento Feminino do PMDB está preparando uma campanha de conscientização junto as eleitoras de Bauru, para despertá-las sobre a importância de estar elegendo mulheres para a Câmara Municipal e demais instâncias do poder político. Em nível local, elas já representam 51% de um colégio eleitoral de aproximadamente 200 mil eleitores. Ou seja, o sexo feminino, se unido e articulado, tem cacife para fazer um bom estrago na classe política masculina.

É com esse objetivo que a coordenadora do Movimento Feminino do PMDB de Bauru, Haydée das Dores de Souza, com o apoio da presidente de honra do partido, Darci Gasparini, e da militante peemedebista, Ruth Amaral, quer despertar as mulheres da cidade para a importância do peso de seus votos. Ela quer aproveitar o Dia Internacional da Mulher, comemorado mundialmente amanhã, para sacudir o sexo feminino, que na sua opinião, deve dar um voto de confiança a si mesmo, elegendo representantes em todas as instâncias políticas.

Formação

Ex-candidata a vereadora, Haydée diz que solicitou à Fundação Ulysses Guimarães - uma espécie de centro histórico e de formação política do PMDB - o apoio necessário para incrementar a participação da mulher no cenário político de Bauru. Ela ainda está inconformada com a péssima performance feminina nas eleições municipais de outubro passado.

Cinqüenta e oito candidatas disputaram uma cadeira na Câmara Municipal. Apenas uma, a vereadora Majô Jandreice (PC do B), conseguiu assento. E o pior: Catarina Carvalho (PFL) não conseguiu ser reeleita. Ou seja, das duas representantes femininas na legislatura passada, apenas uma sobreviveu.

As 58 candidatas somaram, juntas, apenas 17 mil votos que, divididos per capita, aponta 293 sufrágios. Isso é um fenômeno que merece ser estudado. O movimento da mulher em Bauru está amorfo, disperso. A participação da mulher na última eleição deixou muito a desejar, desabafa a peemedebista.

Na sua avaliação, a candidatas que disputaram as eleições são mulheres sérias e não mereceram a votação inexpressiva que foi registrada. Segundo a presidente do Movimento Feminino do PMDB de Bauru, estudo realizado pelo Banco Mundial aponta que a participação feminina no poder público, tanto de países ricos como de nações pobres, tem reduzido o índice de corrupção.

A mulher é mais sensível ao sentimento de patriotismo, é mais equilibrada. Temos bons exemplos de grandes administradoras públicas, como a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundida; a atual, Marta Suplicy. Em Bauru, tivemos um exemplo de batalhadora feminista, que foi a Celina Alves Neves.

Ostracismo

A presidente de honra do PMDB, Darci Gasparini, reconhece que houve grandes avanços nos últimos anos. Mas esse trabalho não pode parar e muito menos cair no ostracismo. As mulheres precisam se envolver mais no mundo político, reivindica. Haydée relata que, de uma maneira geral, as mulheres têm avançado no âmbito mundial.

Veja você que o Peru vai eleger seu presidente no dia 8 de abril e uma mulher é a candidata mais cotada para vencer o pleito. É uma ex-deputada, Lourdes Flores, que está vencendo até mesmo o favoritismo do candidato Alejandro Toledo. Precisamos dar um basta a essa insegurança das mulheres. Elas precisam aprender a dar um voto de confiança às candidatas.

A vereadora Majô Jandreice acredita que os números da última eleição municipal são claros em relação ao voto feminino. Houve um refluxo no movimento feminino. Ele está desarticulado. Os partidos não têm preparado as candidatas, avalia.

Ao comparar os números da última eleição municipal com as duas anteriores, fica evidente a desaceleração da participação feminina. Majô lembra que, no pleito de 92, cerca de 30 candidatas disputaram a Câmara, somando 5 mil votos. Quatro anos depois, em 96, houve crescimento considerável. Trinta e oito mulheres disputaram o Legislativo, com a conquista de 15 mil votos. Na última eleição, dobrou o número de candidatas e crescemos apenas 2 mil votos em relação a 96.

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