A morte do governador Mário Covas motivou a decretação de ponto facultativo em várias prefeituras da região
Prefeituras da região de Bauru, principalmente as que são comandadas pelo PSDB (partido ao qual pertencia Mário Covas) pararam ontem e devem continuar com suas atividades suspensas ainda hoje, em respeito à morte do governador paulista, anunciada no início da manhã de ontem. Covas está sendo velado, desde ontem, às 12 horas, no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo, para onde muitos prefeitos da região seguiram e devem permanecer até que seja interrompida a visitação pública, por volta das 10 horas da manhã. Apenas parentes e amigos próximos devem acompanhar o cortejo fúnebre até o cemitério do Paquetá, em Santos, onde será enterrado o governador.
A reportagem do Jornal da Cidade entrou em contato ontem, por telefone, com sete cidades da região administradas por prefeitos filiados ao PSDB e todas elas haviam decretado ponto facultativo pela morte de Covas. Ontem, em Pederneiras, o expediente nas repartições públicas foi normal. No entanto, hoje os servidores municipais devem paralisar suas atividades, as quais devem voltar ao normal amanhã. Uma das primeiras atitudes do prefeito Rubens Cury (PSDB), assim que chegou à Prefeitura, foi enviar condolências à família do governador. Cury viajou ontem à tarde para São Paulo, onde participa do velório.
Assim como Cury, os prefeitos de Arealva, Elson Banuth Barreto, e de Fernão, Adélcio Martins, ambos do PSDB, também seguiram para o Palácio dos Bandeirantes para acompanhar o velório de Covas. Antes disso, eles também decretaram ponto facultativo em seus municípios, ontem e hoje. Barreto viajou acompanhado pelo seu vice, Paulo Padanoski, e Martins, que viajaria apenas à noite, disse que também iria convidar seu vice, e alguns vereadores para acompanhá-lo. Pouco antes de ser reeleito, ano passado, Martins recebeu a visita do governador, que veio até Fernão para a inauguração da estrada vicinal, que liga o município à SP-294, de uma estação de tratamento de esgoto e para participar da entrega de centenas de viaturas para cidades da região.
Em Bocaina, Brotas e Vera Cruz, também administradas pelo PSDB, não foi possível saber, com certeza, se os respectivos prefeitos teriam ido a São Paulo, acompanhar o velório do governador Covas. Procurados pela reportagem em suas residências, via telefone, nenhum deles foi encontrado. Na Prefeitura de Brotas, apenas os plantonistas estavam trabalhando, ontem. Um funcionário que trabalha como motorista de ambulância e que se identificou apenas como João, disse que as atividades municipais, em Brotas, foram suspensas a partir das 11 horas. Ele não soube informar se o prefeito Orlando Pereira Barreto Neto havia viajado. Em Bocaina e Vera Cruz não foi possível fazer contato. A prefeitura, tanto de uma como de outra, não atendeu às ligações feitas pela reportagem. Assim como não foram atendidas as ligações feitas para a residência do prefeito Moacir Donizete Gimenez (Bocaina) e Rodolfo Devito (Vera Cruz).
Na Prefeitura de Paulistânia, o expediente também foi normal durante todo o dia de ontem. Apenas hoje deve vigorar a decretação do ponto facultativo. Ontem à tarde, o prefeito Alcides Casaca ainda não havia decidido se iria ao velório do governador.
A reportagem entrou em contato com outras cinco cidades da região que não estão sob o comando tucano. Apenas duas, Botucatu e Piratininga, estavam com as atividades suspensas. Em Agudos, Jaú e Itapuí não houve ponto facultativo, apenas decretou-se luto oficial, em respeito à morte do governador. João Sanzovo Neto (PDT) e Odail Falqueiro (PFL), prefeitos de Jaú e Piratininga, respectivamente, viajaram com o intuito de acompanhar o velório do governador. Sanzovo seguiu acompanhado pelo ex-vereador jauense Antônio Aparecido Serra, amigo pessoal de Covas.
A última visita
A última visita do governador Mário Covas (PSDB) à região de Bauru aconteceu no último dia 31 de janeiro e foi motivada pela inauguração do prolongamento de pista do aeroporto de Botucatu. Na ocasião, o governador, já debilitado em razão do câncer, brincou com seus lapsos de memória e agradeceu os eleitores de Botucatu pela expressiva votação que recebeu deles na eleição para a Presidência da República, em 1989. Covas aproveitou esse dado para novamente brincar dizendo que, pela lógica, o local onde ele teve mais votos deveria ser onde mais se rezava pela sua recuperação e agradeceu por isso.
Covas justificou suas brincadeiras dizendo que depois de todos os pepinos pelos quais estava passando, o mínimo que ele podia fazer era brincar. Suas palavras acabaram mexendo com a emoção daqueles que estavam presentes ao evento, e que acabaram aplaudindo o governador, em pé. Foi uma despedida em grande estilo.