Membros da Executiva Municipal do partido cobram do presidente mais participação nas articulações políticas
A filiação do vereador Edmundo Albuquerque (PSDB) no PPS não é unanimidade entre os integrantes da Executiva Municipal do partido. O assunto já está provocando um racha entre os membros da instância política, que cobram do presidente da legenda, Rubens de Souza, mais participação nas articulações e nos assuntos de interesse partidário.
Pelo menos dois membros da Executiva já assumem publicamente que são contra a filiação do vereador tucano. O segundo secretário da legenda, Luiz Alexandre Marcondes Monteiro, e o secretário-geral, Dilmar Pandolfi, afirmam que estão sendo preteridos das decisões do partido.
Monteiro afirmou que o assunto sobre a filiação de Edmundo ao PPS nunca foi discutido oficialmente pela Executiva. Ele se posiciona contra a chegada do tucano porque o parlamentar deverá trazer seu grupo político, hoje filiado ao PSDB. Outra coisa que incomoda o segundo secretário é a condição que o vereador estaria impondo para se filiar: a candidatura à Assembléia Legislativa no ano que vem.
À revelia
Pandolfi também demonstra que está indignado com as articulações em torno da filiação de Edmundo. Segundo ele, o PPS é um partido que difere dos demais quando o assunto é filiação. Uma filiação no PPS não é feita à revelia, como muita gente está querendo.
O secretário-geral explica que ele, pela função que exerce, é a primeira pessoa a receber a ficha, que depois será encaminhada à Executiva da legenda. Na seqüência, o processo é afixado em local visível (no casos, a sede do partido) para conhecimento de todos os filiados. Se não houver pedido de impugnação em oito dias, a filiação será aceita, conta.
Se depender de Pandolfi, o PPS não precisa de estrelas para fazer política. Os políticos, de uma maneira geral, estão muito acostumados a esse vai-e-vem, a essa troca de partidos. A maioria não veste a camisa da legenda.
Ele afirma que sua divergência com Edmundo não é pessoal, mas política. Quero saber se ele é de esquerda. Será que o Edmundo está disposto a assinar com caneta vermelha a sua filiação no PPS? Ele está disposto a passar por uma sabatina?, questiona.
Pandolfi garante que o PPS de Bauru nãso tem dono e muito menos caciques, como ocorre com outros partidos, geralmente identificados por uma liderança de peso. Nós temos uma linha de conduta e de atuação e não vamos fugir dela, avisa.
O secretário-geral do partido elogiou o comportamento dos vereadores José Clemente Rezende e Milton Dota Jr., ambos filiados ao PPS, no processo de escolha do presidente da Câmara Municipal e dos secretários da Casa. Os dois votaram contra a indicação da legenda, que optou por Walter Costa, também filiado ao PPS.
Em entrevista publicada na edição de ontem do Jornal da Cidade, o prefeito Nilson Costa (PPS) valorizou o passe de Edmundo ao elogiar a conduta do tucano. Expressões como posições bem nítidas e vereador de alto gabarito foram utilizadas por Nilson para definir a atuação do parlamentar na Câmara Municipal.
O prefeito é um dos mais entusiasmados com a provável filiação de Edmundo, mas até mesmo no seu grupo político há divergências em torno do assunto. O secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, seu colega de primeiro escalão, Flávio Uchoa, e até mesmo os três vereadores da legenda (Clemente, Dota Jr. e Walter Costa) também têm ambições políticas.
O presidente da Executiva Municipal do PPS, Rubens de Souza, não foi encontrado para dar sua versão sobre a situação.