O crime, ocorrido na Vila Bom Jesus, aconteceu após desentendimento entre vizinhos. Acusado está foragido
O catador de papel Antonio Aparecido Barco, 39 anos, foi morto na noite de terça-feira, a 100 metros de sua casa, com quatro facadas. Seu vizinho, o carpinteiro Rogério Fernandes, é acusado de ter cometido o crime.
Segundo informações da família da vítima, o homicídio teria sido motivado por uma desavença ocorrida no último final de semana, quando o catador de papel brigou com a filha do acusado e passou a agredi-la verbalmente.
O crime ocorreu por volta das 22h40 de terça-feira, na quadra 1 da rua Manoel Raimundo da Silva, na Vila Bom Jesus. De acordo com o registro na polícia, a vítima estava sentada na calçada quando o acusado passou e, ao deparar com a mulher do catador de papel, Maria de Lourde da Silva, teria feito um comentário agredindo a vítima.
O catador de papel não teria gostado do comentário. Conforme apurou a polícia, ele foi até sua casa, pegou uma foice e retornou ao local. Populares conseguiram acalmar os ânimos dos briguentos. O catador de papel teria retornado a sua casa e guardado a foice.
Porém, como estava visivelmente embriagado, retornou ao local e começou a discutir novamente com o vizinho. Houve agressão recíproca quando uma terceira pessoa entrou na briga. Percebendo que iria apanhar muito, a vítima saiu correndo e foi seguida pelos dois.
O desconhecido teria segurado a vítima para que o acusado desferisse as facadas. Após o crime, o acusado e o outro homem fugiram do local em uma Variant de cor vermelha. A vítima chegou a ser socorrida ao Pronto-Socorro da Bela Vista, porém não resistiu aos ferimentos e morreu.
A vítima sofreu quatro perfurações, segundo a polícia: duas no peito, uma no pulmão, uma no coração e mais duas no abdome. A Polícia Civil está investigando o caso e tentando localizar o acusado e seu amigo.
A catadora de papel Maria de Lourde da Silva, companheira de Barco, lamentou a morte de seu companheiro de 10 anos. Ele estava bêbado e desarmado. Foi uma covardia o que fizeram com ele. Eles estavam em dois, disse.
Ela contou que a briga entre o seu companheiro e o vizinho teve início no último final de semana, quando Barco mexeu com a filha do acusado. Ele bebia e quando estava embriagado ficava briguento. Eu tentei interferir e ele me bateu. Estou até hoje com o rosto marcado, contou.
As brigas entre o casal eram constantes, lembrou a mulher. A gente brigava muito. Eu batia nele e ele em mim, mas mesmo assim a gente se gostava. Eu estava com ele há 10 anos e estou muito sentida, disse.
Ontem, Maria de Lourde tentava resolver os problemas com o velório e o enterro. Eu não tenho dinheiro para enterrá-lo. Tive que procurar a Emdurb para conseguir o caixão gratuito.