Dia Internacional da Mulher foi instituído em 1910 e serve para lembrar luta contra a opressão feminina
O dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, foi instituído como data de luta pelos direitos da mulher em 1910, em homenagem a operárias têxteis norte-americanas mortas em um incêndio criminoso.
Elas morreram queimadas em um incêndio numa fábrica em Nova York, quando protestavam pela redução da jornada de trabalho. Desde então, a data lembra a luta contra a opressão feminina na vida, no trabalho e nos espaços públicos e privados.
Nos últimos anos, as mulheres somaram em sua luta temas como a exclusão social, o desemprego, a retirada de direitos sociais, arrocho salarial e a falta de qualidade de vida, além da igualdade de direitos aos homens.
De acordo com levantamentos realizados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), as mulheres, apesar de trabalharem a mesma carga horária que os homens, recebem, em média, 40% menos do que os trabalhadores do sexo masculino ao desempenhar a mesma função.
Outros dados preocupantes revelam que a taxa de desemprego entre mulheres é 6% maior do que entre homens. Os postos de trabalho ocupados por elas, apesar do aumento significativo nos últimos anos, envolve funções mais desqualificadas.
Em relação à saúde, a CUT lembra que as mulheres, principalmente as de baixa renda, são as principais vítimas da contaminação pelo vírus HIV. Outro dado preocupante é mostrado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cujos levantamentos indicam que 10% dos abortos praticados no Brasil resultam em morte da gestante, uma vez que não há política pública é criminalizante em relação ao aborto.
Documento elaborado ao final da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e realizada em setembro de 1994, no Cairo, propõe que as políticas demográficas dos países sejam centradas no respeito ao direito reprodutivo dos casais, com ênfase na saúde da mulher.
O documento, assinado pelo Brasil, estipula que em 2000 os serviços de planejamento familiar deveriam ser colocados à disposição da população. As pesquisas apresentadas na conferência mostram que as mulheres que vão à escola e têm acesso à informação de boa qualidade sobre saúde reprodutiva e métodos anticoncepcionais seguros tendem a ter menos filhos. O envolvimento do homem também tem-se mostrado fundamental para o sucesso do planejamento familiar voluntário.
A pressão social sobre a mulher, no entanto, continua a ser a maior do em relação ao homem. Isso pode ser mensurado através do estudo Aspectos Psicológicos e Mentais na Saúde da Mulher, divulgado pela OMS, que revela que a mulher sofre mais que o homem de estresse, depressão e ansiedade.
O estudo da OMS mostra ainda que 90% das pessoas com distúrbios alimentares são mulheres, porque se sentem pressionadas a emagrecer para se adaptar ao modelo de corpo valorizado pela sociedade. As assalariadas dedicam três horas do dia a afazeres domésticos e 50 minutos aos filhos, enquanto os homens apenas 17 e 12 minutos, respectivamente. Os pais que trabalham assistem à TV por uma hora a mais e dormem meia hora a mais que as mulheres, além de passar mais tempo à mesa.
O Feminismo
1850Considerado o marco do feminismo. Nos EUA e na Inglaterra, grupos de mulheres se unem e fundam um movimento feminista. A idéia era lutar pela conquista dos direitos civis, como o voto e o acesso ao ensino superior.
Anos 60O movimento ressurge nos EUA com reivindicações mais amplas, como direito à sexualidade e à igualdade com os homens no mercado de trabalho.- A pílula anticoncepcional é inventada.- Ascensão da mulher no mercado de trabalho.
1975Ano Internacional da Mulher. Realização da 4ª Conferência de Beijin, onde foi divulgada uma plataforma sobre a vida da mulher no mundo.
1975 a 1985A ONU determina que o período será intitulado a Década Mulher e detona ações que visam a conquista e valorização dos direitos humanos para as mulheres.
1995Mulheres de 180 países reúnem-se na China, na Conferência de Pequim, para tratar de questões femininas. O documento votado no final do evento afirma que as mulheres são as principais vítimas da pobreza e registra que a sociedade ainda abusa das mulheres punindo-as com casamentos forçados, exploração sexual, circuncisão feminina e violência doméstica.
No Brasil
1910Fundação do Partido Republicano Feminino, no Rio de Janeiro.
1918O Itamaraty recebe a primeira mulher na carreira diplomata, é Maria José de Castro Rebelo Mendes.
1932O presidente Getúlio Vargas promulga por decreto o direito das mulheres de votar e ser votadas.
1933Carlota Pereira de Queiroz, membro da Academia Nacional de Medicina, é nomeada a primeira deputada federal do País.
Década de 60O feminismo ganha força com a discussão do movimento nas faculdades.
Década de 70São criados o Movimento Feminista pela Anistia e o Centro da Mulher Brasileira. Na mídia, são criados os jornais Brasil - Mulher e Nós Mulheres.
Década de 80Grupos feministas espalham-se pelo País.
1983O governo de São Paulo funda o Conselho Estadual da Condição Feminina, o primeiro do Brasil.
1985O Ministério da Justiça funda o Conselho Nacional da Condição Feminina.
1986 É fundada a primeira DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). Com isso, a violência contra a mulher perde a invisibilidade.
Anos 90 As mulheres já formam 50% dos contingentes dos estudantes dos ensinos básico, médio e superior do País.
1994 É formada a primeira chapa inteiramente feminina. Aldenora de Sá Porto e Nina Maria Alexim, do PBDDM (Partido Brasileiro de Defesa dos Direitos da Mulher), concorrem à presidência e à vice-presidência da república, respectivamente.
- 119 mulheres são eleitas para a Câmara Federal, Senado e assembléias estaduais. A carioca Benedita da Silva (PT-RJ) é a primeira senadora negra da história do País e Roseana Sarney (PFL-MA) é a primeira governadora.
1998 Zuleika Alambert, presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina, ganha o prêmio de Cidadã do Mundo, conferido pelo governador Mário Covas.
1999O nível de instrução entre mulheres é superior ao registrado entre homens. De acordo com o IBGE, 30,4% das mulheres ocupadas têm ensino médio, contra 21,2% dos homens.
As lutas das mulheres em Bauru
1975 O marco do feminismo na cidade se dá com a fundação da Associação das Empregadas Domésticas de Bauru, por meio da empregada doméstica Ruth do Amaral Carvalho. A entidade tinha por objetivo promover a troca de informações entre as associadas.
1976 A associação une-se a grupos de mulheres da região e passa a lutar contra a ditadura, pela reforma constitucional e a favor dos direitos humanos.
Final da década de 70 Fundação do Grupo de Mulheres do Oeste Paulista. As reuniões aconteciam, normalmente, na Faculdade de Serviço Social de Lins.
1982 Fundação da Associação das Mulheres de Bauru. Entre as pioneiras está a nutricionista Silvia Heloísa Priori. Com a entidade, começam as discussões sobre a implantação de uma DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em Bauru.
1983 É implantado o COM (Centro de Orientação da Mulher), que funcionaria até 1985. O centro contribuiu para dar visibilidade à vinda da DDM.
1986 Finalmente, Bauru recebe a DDM, que seria a segunda delegacia da mulher fundada no Interior do Estado.
1992 Maria José Majô Jandreice (PC do B) é eleita a primeira vereadora da Câmara Municipal de Bauru.
1993 O projeto do Conselho Municipal da Condição Feminina é aprovado pela Câmara Municipal e pela Prefeitura.
1994 Os primeiros grupos de trabalho do Conselho começam a funcionar.
1995 É inaugurado o CIAM (Centro Integrado de Atendimento à Mulher).
1996 O Tribunal Regional Eleitoral recebe o maior número de inscrições de mulheres candidatas ao cargo de vereadora na história de Bauru. 48 mulheres concorrem à eleição.Ruth do Amaral Carvalho recebe o título de Cidadã do Centenário.
1997 A Câmara Municipal aprova a criação da Casa Abrigo, que deverá entrar em funcionamento até o final de 1998. O local receberá mulheres que correm risco de vida. Até hoje, o projeto não saiu do papel.