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Recife: cidade de príncipe

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

João Maurício de Nassau-Siegen desembarcou no porto do Recife em 1637, instalou-se no Palácio de Friburgo, e trouxe progresso para a cidade

É obrigatório, para quem vai a Recife, passear por seu centro que está sendo totalmente restaurado. Esqueça o salto alto, coloque um confortável tênis nos pés e caminhe pelas ruas carregadas de rica história.

Comece pelo Marco Zero erguido em 1938 na praça barão do Rio Branco, no porto do Recife. À sua frente fica a antiga praça do Comércio, com construções que chamam a atenção, por sua fachada e interior. O prédio da Associação Comercial de Pernambuco, por exemplo, tem escadaria em ferro fabricada na Bélgica, móveis de época e vitrais coloridos.

Logo atrás dele fica a rua dos Judeus ou do Bom Jesus, onde funcionou a primeira sinagoga da América do Sul, fundada durante a dominação holandesa, em 1637. Há dois anos, a comunidade israelita de Pernambuco resolveu reerguer o prédio, localizado entre os números 197 e 203 e que teve como pregador o rabino Izaque Aboab da Fonseca, autor do primeiro texto literário em hebraico do Novo Mundo.

A sinagoga foi fechada quando os portugueses expulsaram os holandeses, trazendo consigo a Inquisição.

No final da rua dos Judeus fica a Praça do Arsenal e a Torre de Malakoff, que funcionou como observatório astronômico no século XIX. Aproveite para visitar a igrejinha de Nossa Senhora do Pilar, de 1680 que fica no quadrilátero , o Teatro Apolo (rua do Apolo) e a Igreja Madre de Deus.

Atravessando a ponte

O passeio histórico-cultural não pára aí. Atravessando a ponte Maurício de Nassau avista-se o cais de Santa Rita (no início do bairro de São José) e à direita a Praça da República com o conjunto formado pelo Palácio da Justiça, Teatro Santa Isabel, Palácio do Campo das Princesas e Liceu de Artes e Ofícios. Prédios interessantes como o Convento de Santo Antônio, a Ordem Terceira de São Francisco, o Arquivo Público, a Igreja do Divino Espírito Santo ficam por lá, assim como o monumento em mármore, na Praça XVII, erguido para homenagear Sacadura Cabral e Gago Coutinho, aviadores que, em 1922, fizeram a travessia Recife-Lisboa.

Pontes e progresso

A cidade é cortada por dezenas de pontes responsáveis por sua expansão

Conhecer a geografia de Recife é entender sua história e economia. Nascida numa pequena ilha espremida entre o rio Beberibe e o Oceano Atlântico, a cidade tirou seu nome do ancoradouro natural de arrecifes em torno do qual surgiram, no século XVI, um porto e uma praça de atracagem a qual logo se tornou seu Marco Zero.

Com a exportação do açúcar, o vilarejo portuário ganhou importância e, após a invasão holandesa em 1631, foi promovido à sede do Governo da Capitania de Pernambuco.

A intimidade com as águas conferiu ao Recife o título de Veneza Brasileira. Entre as pontes que conduzem por um passeio histórico, está a Ponte Maurício de Nassau, mais antiga da América Latina, erguida pelos holandeses em 1643. As 49 pontes conferem um charme especial à cidade cosmopolita. Foi através delas que Recife se expandiu.

Centro de cultura na área boêmia

A Torre Malakoff virou um centro de cultura e observatório das belas paisagens do Recife

Na área portuária do Recife, zona de prostituição até poucos anos atrás e atualmente um dos melhores pontos da boêmia recifense, uma parte de um antigo depósito de armas da Marinha, a Torre Malakoff, foi transformada em centro de cultura e ciências: o Observatório Cultural Malakoff.

Agora, numa torre construída em 1855 estão um anfiteatro, uma biblioteca virtual, uma sala para conferências, vários salões para exposição e um observatório astronômico. As apresentações no anfiteatro e as exposições são temporárias. Mas a biblioteca virtual, onde se pode acessar a Internet, e o observatório astronômico estão diariamente abertos aos visitantes. No telhado da Torre, onde funciona um parte do observatório, pode-se pegar um dos binóculos ou lunetas e observar os astros ou a paisagem do Recife. A Torre do Arsenal da Marinha começou a ser construída em 1853, sendo concluída dois anos depois. Ela logo passou a ser chamada de Torre Malakoff por causa da Guerra da Criméia (ver boxe). Apesar de sua imponência, ela era apenas o portão do arsenal, onde havia depósitos e galpões para a construção e consertos de navios. Com 30,5 metros de altura, ela se tornou um dos prédios mais importantes da Província de Pernambuco e seu relógio chamava a atenção. No pavimento abaixo da cúpula vê-se colocado um grande relógio de mostrador transparente, para serem as horas visíveis à noite, pondo-se-lhe luz por detrás, fabricado na Inglaterra por um dos melhores autores; na cúpula se porá um observatório, afirmou o jornal Diário de Pernambuco em 4 de dezembro de 1857. Em 1859, o imperador d. Pedro II visitou a torre. Com a proclamação da República em 15 de novembro de 1889, a Marinha fechou os arsenais do Pará, da Bahia e o de Pernambuco, sendo suas atividades transferidas para o Rio de Janeiro. Assim, a Torre Malakoff perdeu sua importância. Na década de 20, a Marinha decidiu derrubar o prédio por causa das obras de ampliação do Porto do Recife. Intelectuais, políticos ou simples admiradores do prédio, porém, organizaram um movimento e conseguiram impedir sua derrubada. Mas a torre passou a ser um prédio abandonado. Só este ano, com a inauguração do Observatório Cultural Malakoff, após uma reforma, a torre voltou a ter um propósito. Além de resgatar os espaços originais da torre, valorizando a antiga arquitetura, estamos tornando possível uma utilização para o prédio, afirmou Paula Peixoto, diretora do Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura de Pernambuco. Ela ressaltou que a revitalização de um prédio histórico é tão importante quanto sua restauração.

Serviço:

Observatório Cultural Malakoff Endereço: Praça do Arsenal da Marinha, s/n Bairro do Recife - Recife (PE) Fone: (081) 424.8704 Horário de Funcionamento: Terça a sexta-feira: 10h às 21h Sábado: 14h às 20h Domingo e feriado: 14h às 19h.

O Charme de Boa Viagem

A orla tem coqueirais e águas mornas que convidam a um banho de mar

Pensar no Recife e não falar na Praia da Boa Viagem é quase impossível. Seus 10 quilômetros de areias repletas de coqueirais, banhadas por águas mornas, abrigam uma democrática mistura de estilos e personalidades.

Boa Viagem é o ponto de encontro de surfistas, de gente jovem e bonita que desfila pelas pistas de patinação e cooper, dos aposentados que passeiam pelo calçadão, dos românticos casais que se encontram para beber água-de-coco nos quiosques à beira-mar.

O bairro mais badalado da cidade é também o mais populoso. Possui o maior número de hotéis, bares e restaurantes, agrega um dos melhores pólos gastronômicos da região, além de ter o maior Shopping Center do Brasil. É o trecho mais chique e moderno da cidade.

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