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Ontem de manhã, um grupo de índios foi à OAB solicitar acompanhamento do processo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Desde ontem, a Funai/Bauru conta com novo administrador. Ele ficará à frente da instituição até terminar a auditoria

A Fundação Nacional do Índio (Funai), com sede em Brasília, nomeou uma comissão para realizar uma auditoria interna na sua Regional, em Bauru, em decorrência das denúncias, de possíveis irregularidades financeiras e abandono, feitas por uma parte dos índios. A Funai decidiu ainda afastar por 30 dias o diretor Rômulo Siqueira de Sá, que seria o responsável, segundo os índios, pelas irregularidades. Em seu lugar ficou o paranaense Gilberto Abreu Amaral, funcionário da Funai há 23 anos. Amaral está em Bauru desde 1988 e, ultimamente, já vinha exercendo a função de substituto eventual de Siqueira de Sá. Segundo Amaral, o afastamento do funcionário que passa a ser alvo de investigação é uma atitute prevista em lei.

A comissão, que deve analisar a veracidade ou não das denúncias feitas contra o administrador Siqueira de Sá, já está em Bauru.

Acompanhamento da OAB

Ontem de manhã, uma outra comissão, formada por índios, provenientes de diversas aldeias do Estado de São Paulo, esteve reunida com os integrantes da Comissão dos Direitos Humanos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Bauru. Os índios diziam ser representantes das aldeias das tribos guarani e terena, espalhadas pelo Estado.

Eles foram até a sede da OAB e solicitaram aos advogados que fosse feito um acompanhamento durante todo o processo de auditoria. Para justificar o pedido, os índios teriam dito, aos integrantes de Comissão de Direitos Humanos, que outras sindicâncias foram feitas dentro da Funai e não teriam resultado em mudanças.

Segundo o advogado Sandro Fernandes, integrante da Comissão da OAB, os índios querem o acompanhamento da prestação de contas de tudo o que foi gasto durante o ano passado, pela Funai/Bauru. Outra questão, levantada pelos índios e que deve merecer atenção dos advogados, é sobre o suposto abandono em que estaria vivendo as aldeias localizadas na região Norte do Estado, mais conhecida como Vale do Ribeira.

Fernandes informou que na próxima reunião dos integrantes, Comissão dos Direitos Humanos, marcado para terça-feira, dia 13, deve ser dado o devido encaminhamento a essas questões.

Índios irredutíveis

Os índios, que chegaram a ocupar o prédio da Funai/Bauru por quase uma semana, durante o mês passado, exigem a imediata saída de Siqueira de Sá do comando da instituição. O grupo de descontentes com a administração de Siqueira de Sá mostra-se irredutível em sua exigência.

Eles alegam que faltou transparência ao dirigente na prestação de contas do que foi gasto pela instituição durante o transcorrer do ano passado. A falta de assistência às aldeias indígenas é outro ponto que estaria desagradando os índios.

Por sua vez, Siqueira de Sá conta com o apoio de alguns caciques. Durante reunião, realizada mês passado, na sede da Funai, em Bauru, entre a liderança indígena e o administrador, foi apresentado um relatório no qual estava especificada todas as despesas do ano passado. Para satisfazer a curiosidade, os caciques solicitaram, durante a reunião, informações diretamente de Brasília a respeito do destino dado aos R$ 500 mil recebidos pela Regional, em Bauru. Depois de apresentado o relatório completo, os caciques mostraram-se satisfeitos.

Diante do protesto, que está sendo feito por uma parte dos índios e que pede a saída de Siqueira de Sá, os caciques resolveram enviar ofício ao presidente da Funai, Glênio Álvares da Costa, manifestando apoio ao administrador e ressaltando os esforços que teria feito para tornar as aldeias produtivas e melhorar a qualidade de vida da comunidade indígena.

Siqueira de Sá não tira a razão dos índios em querer uma detalhada prestação de contas de tudo o que foi gasto com os recursos federais. No entanto, ele lembra que a Funai/Bauru tem 25 projetos em andamento, processos envolvendo questões fundiárias, como a demarcação de terras e despesas com o setor administrativo. Colocando tudo na ponta do lápis, Siqueira de Sá garante que ainda falta dinheiro para solucionar os problemas das 24 aldeias, pelas quais é responsável.

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