Dr. Luís Fernando Ribeiro, ex-presidente do PMDB, ex-diretor do SUS, antigo aliado político de Quércia, Fleury, et caterva, escreve para esta coluna, reivindicando o início da implantação do sistema de descentralização da saúde pública de nossa cidade. Afirma e com razão que o sistema começou a ser descentralizado, no governo do saudoso Gasparini, quando era o secretário municipal da Saúde.
No entanto, esquece de dizer que a descentralização do sistema de saúde era uma promessa da campanha eleitoral de 1982, dos então candidatos do PMDB, Gasparini e Tuga. O que dr. Luís Fernando faz de conta não entender e reconhecer foi a importância do ilustre sanitarista dr. Davi Capistrano da Costa Filho na consolidação deste trabalho. Chegou a nossa cidade, combatido severamente por pessoas retrógradas, que não aceitavam a vinda de um forasteiro para administrar a saúde pública da cidade. Talvez essas pessoas, fossem as mesmas que agrediram covardemente Gasparini, em seu local de trabalho, no início dos anos 60, quando denunciava bravamente, com sua veemência peculiar, a existência da máfia de branco em nossa cidade.
Ora, comparar uma reivindicação para se colocar o nome do ilustre sanitarista Davi Capistrano, no Hospital Regional, ou outro logradouro público, com os nomes de ditadores e repressores que batizam diversos locais de nossa cidade, transforma-se em uma verdadeira heresia. É reconhecer publicamente que gostaria de ver nossa cidade transformada em um gueto.
É reconhecer que não conhece a história daqueles que lutaram para ver o regime democrático em nossa pátria. Aliás, tão somente conhecem a história da luta do povo brasileiro, aqueles que dela participaram ou têm interesse em conhecê-la. O que parece não ser o caso do rancoroso senhor.
Onde militou, onde atuou politicamente o ilustre missivista, nos anos de chumbo da ditadura militar? Não vamos querer aqui comparar o significado das lutas travadas pela família Capistrano com as lutas travadas pelo sr. Seria covardia, pois não existiriam parâmetros para comparação.
Davi jamais necessitou de emprego público para atuar politicamente! Só isto já lhe daria uma incrível vantagem, no caso de uma hipotética comparação. Vamos deixar o rancor ao lado e reconhecer homenageando Dr. Davi, concedendo seu nome ao futuro Hospital Regional. Motivos políticos ideológicos não faltarão. A firmeza ideológica de Davi faz parte da história brasileira. Motivos históricos igualmente existem aos montes.
O principal, sem dúvida foi a democratização da saúde pública em nossa cidade. Com o boicote aos concursos, promovidos pelo então Governo Democrático de Bauru para preenchimento de vagas de médicos, a presença de Davi em nossa cidade atraiu profissionais de todo o País, e muitos deles conseguiram angariar o respeito público. Com certeza, foi o início do fim, da combatida máfia de branco, tantas vezes denunciada por Gasparini. (Pedro Romualdo - Presidente municipal do PSB)