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Internet, porta do Apocalipse

(*) B. Requena
| Tempo de leitura: 3 min

Durante a década de 60, o famoso visionário canadense Marshall MacLuhan, o mago da mídia de então, sentiu com marcante exatidão que o homem caminhava para uma verdadeira aldeia global. Onde um grito dado em casa não seria ouvido na esquina, porém, na velocidade da luz chegaria ao outro lado do Planeta, que ficaria cada vez menor. Mesmo estando em continentes diferentes, um médico poderia observar e até operar um paciente com proximidade e chances maiores do que aqueles que então apalpavam o doente.

O gordo MacLuhan, com alguma identificação a Júlio Verne, não viveu para ver hoje aquilo que antevia para a humanidade. Aí está a Internet, a mais fantástica conquista da tecnologia. Um turbilhão de informações e dados reunidos em aparelhos cada vez menores. Nela já estão contidos dados que podem ajudar a todos. É a universidade que jamais se imaginou. A história e os segredos do animal racional nela já foram embutidos. Quase tudo de bom está na Internet. Mas, até onde se pode avaliar, é, também, a maior lixeira do universo.

Quando é explorada em busca da sabedoria, a rede mundial é a melhor escola. Quando é recurso para a criatividade, para quem busca soluções profissionais, pode significar grandes oportunidades, mas quando é janela para a delinqüência, a Internet vira a toca dos bandidos.

Recentemente, a Polícia Federal brasileira prendeu um hacker que fazia parte de uma quadrilha especializada em roubar, via Internet, dinheiro de contas bancárias de clientes de bancos públicos e privados. De acordo com a PF, ao prender o bandido, conseguiu recuperar US$ 750 mil que haviam sido subtraídos através de artimanhas por ele arquitetadas nas possibilidades que os navegantes sagazes (neste caso, piratas) conseguem na rede. Ontem, o FBI revelou que uma quadrilha de piratas da Rússia e da Ucrânia se apoderou dos números de um milhão de cartões de crédito.

Já o garoto Keith Peiris, de Montreal, no Canadá, antes de completar 13 anos, ficou milionário fundando uma companhia high-tec, chamada Cyberteks Design, uma empresa especializada em animação. Nos próximos meses, ele abrirá uma filial em Hong Kong. Recentemente, o garoto participou de uma delegação de 600 empresários de seu país que acompanhou o primeiro-ministro canadense Jean Chretien a Pequim. Brevemente, Keith e o pai deverão retornar à China, onde já há alguns negócios em perspectivas.

Para se ter uma idéia de como está a Internet, basta citar que ela abriga 4.000 sites racistas (2.500 só nos EUA). Podem ali ser encontradas 50.000 suásticas (2.000 só na Alemanha).

Já o estudante Adam Burtle, da cidade de Woodinville, no Estado de Washington, colocou na Internet um anúncio vendendo a alma usada de um rapaz de 20 anos. O anúncio chamava para o site de leilões eBay, sendo que o lance inicial era de apenas cinco centavos de dólar. Aberto o pregão, logo o valor da alma passou de US$ 56 para US$ 400. Uma mulher de Des Moines, capital de Iowa, deu o lance final, comprando a alma de Burtle. Os dirigentes da eBay, com sede em San Jose (Califórnia) já haviam proibido leilões de almas (porque não é produto que se possa entregar), mas o estudante conseguiu colocar a sua à venda através de um subterfúgio.

Como se vê, a Internet é fantástica! Nela pode-se comprar o vestido usado por Marilyn Monroe na cena do ventilador e até mesmo a alma de alguém. Hoje parece a porta do Apocalipse. Mas em 10 anos, tudo isto passa e este argumento será apenas pequena bobagem ultrapassada.

(*) B. Requena é editor de Internacional do JC

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