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Impulso revigorado

Redação
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A Volkswagen investe em um novo motor para atacar em duas frentes bem distintas. A montadora começa a equipar o Golf produzido em São José dos Pinhais, no Paraná, com um novo motor 1.6 feito no Brasil. Com ele, a montadora reduz custos de produção - deixa de importar o antigo motor 1.6 fabricado na Espanha - e melhora a versão que responde por 60% do total de vendas da linha Golf.

O novo motor é feito na fábrica de São Carlos, em São Paulo, tem a denominação EA-111 1.6 e substitui o espanhol EA-113 1.6. Para desenvolvê-lo a Volkswagen do Brasil demorou 18 meses e investiu R$ 22 milhões. Além da origem ter mudado, o AE-111 1.6 ainda traz como novidade o que segundo a montadora é uma das maiores exigências dos brasileiros: desempenho em baixos giros.

O novo propulsor 1.6, como o motor espanhol, tem quatro cilindros em linha, oito válvulas e desenvolve 101 cv de potência, só que a 5.500 rpm, contra 5.600 rpm do usado até agora pela versão básica do Golf. Mas é no torque que as alterações são mais acentuadas. Enquanto o antigo motor desenvolve 14,8 kgfm a 3.800 rpm, o equipamento nacional tem 14,3 kgfm atingidos a 3.250 rpm. Segundo a Volkswagen, o novo motor é ainda cerca de 5% mais econômico e menos poluente do que o propulsor importado.

Para desenvolver o EA-111 1.6, os engenheiros brasileiros se inspiraram no motor 1.0 16V Turbo utilizado no Gol e Parati. Aplicamos os mesmo recursos de redução de espessura de bloco e redução da inércia das engrenagens usados no motor 1.0 turbinado, afirma João Alvarez, gerente de engenharia de motores da Volkswagen. O propulsor brasileiro tem balancins roletados, paredes do bloco mais finas, bomba de óleo acionada diretamente pelo virabrequim e filtro de ar acoplado na própria tampa de proteção do motor, que deixa de ser meramente estética. Este tipo de filtro, denominado pela Volkswagen brasileira de design-filter deve, inclusive, passar a ser adotado em novos motores feitos pela matriz.

Apesar de ser mais fina, segundo a montadora, as paredes do bloco do novo motor aguentam pressão maior por terem uma fundição mais precisa, o que permitiu o aumento da taxa de compressão para 10,8:1, contra 10,3:1 do antigo propulsor. Com estas mudanças, o propulsor brasileiro que tem bloco em ferro fundido consegue ser 1,5 kg mais leve do que o espanhol, que é em alumínio.

Com a mudança de motor, a Volkswagen também alterou a transmissão e o acelerador do Golf 1.6. O novo câmbio pesa 29 kg, 11 kg a menos que o anterior. Isso devido ao uso de carcaça em liga de magnésio, eixos ocos e garfos de acoplamento com base roletada. Já o acelerador passa a ser eletrônico - do tipo drive-by-wire. O novo Golf 1.6 começa a ser vendido este mês, mas apesar da nacionalização do motor não teve o preço reduzido. Continua custando, só com direção hidráulica, R$ 29.819.

Mudanças sutis

O Golf 1.6 sempre exibiu, respeitando a proporção de cilindrada, o desempenho mais instigante da linha média da Volkswagen. Com o novo motor brasileiro, coube à montadora apenas fazer leves retoques. Mas eles foram realizados na dose certa. Mesmo em uma rápida avaliação, o simples fato de subir ladeiras, ultrapassar os muitos caminhões que trafegam na cidade industrial de São Bernado do Campo e enfrentar o pára-e-anda de quebra-molas mostrou que o carro está ainda mais valente em baixos giros. Sem ter perdido o bom desempenho com giros mais altos. Exige menos trocas de marchas.

Contudo, se a manipulação da alavanca do câmbio for inevitável, a diferença também é sensível. A troca de marchas é feita com extrema leveza e o engate é fácil. Mesmo o acionamento da ré, que no Golf 1.6 vendido até agora às vezes arranhava, não ofereceu no modelo testado mais nenhuma resistência.

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