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História de Cole Porter vai para os palcos

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

"Cole Porter - Ele Nunca Disse Que me Amava", em cartaz em São Paulo, pretende tratar não apenas de um tema norte-americano, a vida e obra do notável compositor. Pretende também trazer ao palco certa idéia sobre o musical. Mas cumpre apenas em parte a característica -marcante na cultura norte-americana de espetacularização da vida e estetização da imagem, aqui facilitada pelo caráter biográfico do espetáculo.

Em cena, a vida de Porter (1898-1964) é contada sob o ponto de vista de cinco das mulheres que o acompanharam, e uma personagem simbólica, a morte. O formato do espetáculo, despretensioso, não se compromete propriamente com uma dramaturgia, e intercala trechos narrativos com números musicais, ao tempo em que desenha, em traços rápidos, a imagem do biografado. Em um primeiro momento, Porter é o compositor de talento incomum, compulsivo na criação, alegre e fútil nas relações. Em seguida, depois da amputação de uma das pernas devido a um acidente, vem o Cole Porter amargo e solitário.

A direção de Charles Möeller acomoda-se ao esquematismo da narrativa e ao convencionalismo das soluções cênicas. A cenografia, inspirada em Mondrian, tenta uma ambientação "clean", em contraste ao mundo de informações dos detalhados figurinos. O diálogo anuncia-se promissor, mas, no decorrer das cenas, torna-se enfadonho.

Em compensação, "Cole Porter" sustenta-se muito bem naquilo que é essencial ao gênero. A direção musical proporciona ao público o que de melhor o espetáculo oferece. Com um elenco de excelentes intérpretes, Claudio Botelho explora sem receios os diferentes registros vocais, criando uma dinâmica que, tanto nos standards quanto nas canções menos conhecidas, consegue a adesão do público. Entre as atrizes/intérpretes não há como não se surpreender com Gottsha (Ethel Merman, a atriz/ cantora favorita) e, sobretudo, com Ivana Domenico (Elsa Maxwell, a melhor amiga), esta revelando extraordinária voz e irresistível talento cômico.

Ignez Vianna é a que consegue firmar melhor o personagem, talvez por desconfiar da sofisticação coquete da mãe do compositor e fazer dela uma figura cativante, apesar da frivolidade. Ele Nunca Disse Que me Amava", ao duplicar o já conhecido simulacro do compositor, resulta ótima diversão musical, mas não se preocupa em ser um grande espetáculo de teatro.

O espetáculo fica em cartaz até 25 de março, de sexta a domingo, às 21h, no teatro Alfa, que fica na rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, região sul. O preço dos ingressos varia de R$ 15 a R$ 40. Outras informações pelo telefone (11) 5693-4000.

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