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Ciro convida Lula para ser seu vice em 2002

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-ministro e pré-candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, disse ontem, em visita a Bauru, que não vai retirar sua candidatura para ser vice de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do ano que vem. Eu quero que ele seja o meu vice, afirmou rispidamente. O presidenciável voltou ao noticiário nacional ontem, após dizer que o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é um ser desprezível.

Ele voltou a defender a formação de uma frente de oposição. Isso é uma discussão que o PT paralisa, nós vamos insistir que o País precisa unir a oposição, não só a oposição de esquerda, mas a de centro-esquerda.

Em clima de campanha eleitoral, o presidenciável chegou às 10 horas ao Aeroporto de Bauru e foi direto para o apartamento do prefeito Nilson Costa (PPS). Lá, ele assinou a ficha de filiação do vereador Edmundo Albuquerque, que deixou o PSDB, e de outros políticos bauruenses.

O prefeito discursou agradecendo a visita do presidenciável e prometeu apoio. Aqui é o início do exército que vai marchar ao seu lado. De maneira desprendendida, voluntariosa, com a certeza que os amigos que aqui estão e os que estão chegando a nós, vêm pelo ideal e pelo desejo de ajudá-lo nessa jornada maior que é a busca da chefia do governo, afirmou Nilson.

Além de Albuquerque, assinaram a filiação no partido, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, o ex-vereador Paulo Agustinho e o presidente da Cohab, Constante Mogione.

Depois de passar pelo apartamento de Nilson, ele foi ao hotel Obeid, onde proferiu palestra para 350 vendedores. Eles participavam de um encontro estadual de vendedores de medicamentos genéricos e ouviram o presidenciável falar sobre globalização e a conjuntura econômica.

Denúncias de corrupção

Para o ex-ministro, o presidente Fernando Henrique está sendo complacente e omisso frente às denúncias de corrupção detonadas pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL). Ele defende uma ampla investigação em três frentes: Na minha opinião, hoje há três blocos de acusação. Uma de que o senador Antônio Carlos Magalhães violou a votação secreta do Senado. Outra acusação de que o presidente do senado atual, Jáder Barbalho (PMDB), transferiu recursos públicos do Banco do Estado do Pará para sua conta particular e de seus parentes. E o conjunto de denúncias gravíssimas em relação à corrupção no governo Fernando Henrique, disse.

Em relação à suposta corrupção no governo Fernando Henrique, ele listou a compra de votos para a reeleição, passando pelo Proer (ajuda aos bancos), desvalorização cambial e a privatização da Telebrás, agora com detalhes.

Ele respondeu à afirmação do líder do governo no congresso, Arthur Virgílio (PSDB), de que ele era uma sublegenda de ACM dizendo que a tática do governo era desqualificar qualquer um que fizesse críticas. Quando alguém neste país critica um governo que já não tem mais como esconder que está atolado em um lamaçal, eles partem para esta tática velha de desqualificar quem está falando, disse. A sensação que passa para a população brasileira hoje é que a política apodreceu de forma generalizada e a partir do centro do poder, afirmou.

Para ele, as denúncias enfraqueceram o governo. Um governo que não tem autoridade moral é um governo fraco. O que nós vemos e uma acusação ser respondida por outra acusação e a população fica com a sensação de que todos tem razão.

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