Os hemisférios estão unidos por um grosso fio nervoso composto por milhões de fibras. Esta conexão é chamada tecnicamente de corpo caloso
De acordo com o neurocirurgião Adolph Menistrenni, de São Paulo, o corpo caloso tem como principal função transmitir aos hemisférios cerebrais o vínculo ao aprendizado e à memória. Comprovou-se ainda que quando se cortava este órgão, os dois hemisférios funcionavam independentemente; então os cientistas tiveram que revisar os conceitos ligados aos hemisférios cerebrais, já que ambos hemisférios intervém nos processos do conhecimento humano, porém cada metade do cérebro se especializa numa modalidade diferenciada. Isto vai de encontro às descobertas feitas por um grupo de investigadores. Entre os mais destacados, está o doutor Roger Sperry e sua equipe de tecnologia da Califórnia. Sua investigação se baseia justamente sobre essas pessoas nas quais se havia praticado o que se deu a chamar comisurotomia, ou dito de outra forma: cérebro dividido.
Os pacientes eram casos de epilepsia, os quais revelavam uma grande incapacidade, pois os ataques originados na doença, afetavam seus dois hemisférios cerebrais. Cortado o corpo caloso, os hemisférios ficaram isolados um de outro, e assim conseguiram desta maneira controlar a doença, mas não foi só esta a grande descoberta.
Cada hemisfério percebe a realidade à sua maneira, a metade esquerda do cérebro domina a maior parte do tempo, tanto em pessoas de cérebro bipartido ou não, como em pessoas de cérebro normal, e ainda se comprovou que a metade direita do cérebro não verbal, experimenta sensações, sentimentos e processa a informação pela sua própria conta. É como se atuassem duas pessoas numa só.
O lado direito como comumente se fala, se especializa numa percepção de conjunto e sua função consiste principalmente em sintetizar a informação que lhe chega, e sua modalidade é não verbal, e analítica.
O mito dos 10%
Numa pesquisa chamada Você Conhece Seu Cérebro?, foi questionado a duas mil pessoas, entre outras coisas, se elas concordavam que utilizamos normalmente apenas 10% do nosso cérebro. A metade concordou. A mesma pergunta foi feita a neurocirurgiões, que discordaram. Por que a diferença? Porque essa história de usar 10% do cérebro nada mais é do que um mito.
Não há qualquer razão científica para supor que usemos 10% do nosso cérebro. Nem 10% dos seus neurônios. Nem 10% da sua capacidade. Todas as evidências sugerem o contrário: usamos nosso cérebro inteiro.
Por que tantas pessoas aceitam e perpetuam o mito dos 10% do cérebro? Talvez porque à primeira vista, ele parece muito convidativo. Se usamos 10% do cérebro, então temos 90% de reserva, que se conseguirmos aprender a usar, poderíamos ficar até dez vezes mais inteligentes, memorizar dez vezes mais fatos, fazer contas dez vezes mais rápido.
E o que é pior, com gravíssimas conseqüências. Quem acredita que 90% do seu cérebro são dispensáveis não tem porquê evitar choques à cabeça usando capacete na motocicleta ou cinto de segurança no carro. Quem não sabe que usa seu cérebro inteiro a todos os momentos ainda não pôde realmente apreciar a maravilha que tem dentro da cabeça, e fica suscetível ao assédio de livros e cursos que se auto-denominam científicos e pretendem ensinar como usar os outros 90%.