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Conseg atua nas áreas de segurança e social

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 6 min

Cada vez mais requisitados para a resolução de problemas dos bairros, os Consegs se consolidam e conquistam a credibilidade da população e órgãos da cidade

Os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) de Bauru estão conquistando, a cada ano, a credibilidade da população e órgãos bauruenses. Sempre são procurados pela população, para a resolução de problemas das mais variadas áreas, ligados direta ou indiretamente à segurança.

Os Consegs podem solicitar ações do Poder Público, como a troca de uma lâmpada em determinada rua ou a fiscalização da venda de bebidas por ambulantes em vias públicas, por exemplo. O Conseg Centro e Sul, por exemplo, conseguiu que um bar na avenida Getúlio Vargas se adequasse para diminuir o barulho, que incomodava os vizinhos. Além de fazer as adequações necessárias, o proprietário passou a freqüentar as reuniões do Conseg Centro e Sul e também opinar sobre os problemas.

Nosso Conselho é muito atuante. Conseguimos que os ônibus de transporte urbano colocassem um adesivo com um telefone para que as pessoas possam ligar e reclamar da forma que o motorista está dirigindo. Também conseguimos que um morador da região doasse quatro pneus para colocar na perua Kombi que faz fiscalizações. E estamos conseguindo muitos outros benefícios, disse Primo Mangialardo, presidente do Conseg Centro e Sul.

O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Cia e membro nato do Conseg Centro e Sul, disse que o Conselho é um instrumento para que a população reivindique a solução do problema que ela imagina ser de segurança pública.

Os problemas mudam de região para região. É importante que representantes de órgãos públicos participem das reuniões para que os problemas tenham soluções apresentadas na hora, afirmou o capitão Meira.

O delegado Ronaldo Divino, titular do 1º DP e membro nato do Conseg Noroeste, disse que 70% das reivindicações têm sido atendidas pelos órgãos competentes.

O Conseg tem conseguido colocar em prática a sua proposta de fazer o policiamento preventivo, além de debater outras questões, que também dizem respeito à segurança, disse Divino.

Para o tenente Flávio Jun Kitazume, comandante da Base Sudeste e membro nato do Conseg Sudeste, a implantação do Conselho mostra que os problemas de segurança de uma cidade não são apenas da polícia. Os problemas também são de toda a comunidade. E a solução dos problemas não é responsabilidade apenas da polícia. Essa solução sai de conversas entre a polícia e a população. Trocar uma lâmpada não é função da polícia, mas pode ser uma reivindicação do Conseg, porque é uma das formas de prevenção de crimes, porque o local será mais iluminado, completou o tenente Kitazume.

O presidente do Conseg Sudeste, José Ionas dos Santos, disse que a população passou a confiar no órgão e por isso ajuda no trabalho da polícia.

Hoje, a população confia no Conselho e faz a denúncia. É o envolvimento direto e indireto com a comunidade que ajuda no trabalho da polícia. O Conseg tem sua credibilidade. A população acaba procurando o Conselho para falar sobre problemas de segurança e sociais, afirmou Ionas.

Para o capitão Wellington Venezian, comandante da 3.ª Cia e membro nato dos Consegs Noroeste e Oeste, a participação da comunidade mostra a evolução dos conselhos de todo o Estado, que ficaram inativos por muitos anos e só retomaram as ações no final dos anos 90.

O Conseg está evoluindo e conseguindo que as reivindicações sejam atendidas. O Conseg mantém sua credibilidade porque é uma entidade apolítica, que não tem nenhuma função partidária e formada pela comunidade. O Conseg é a ponta de lança da Polícia Comunitária, que presta contas à comunidade, completou o capitão Wellington.

Antônio Raymundo Pereira Filho, presidente do Conseg Noroeste, acha que os Conselhos são os canais ideais para a resolução dos problemas.

O caçula

Desde que os Consegs foram implantados em Bauru, em 1998, as áreas de trabalho desses órgãos têm aumentado. O Conseg Leste fugiu do padrão e ficou inativo por algum tempo.

Mas no final do ano passado, os membros do Conselho Comunitário de Segurança Leste se organizaram e começaram e se reunir e levantar os problemas da região.

O pensamento moderno de segurança pública exige a participação da comunidade para que os principais problemas locais sejam resolvidos. Dessa união pode haver uma compreensão maior dos problemas e os mecanismos que se têm para controlá-los. O Conseg Leste ficou inativo por algum tempo e está sendo reativado. E a população está se organizando porque vê o resultado em outros bairros da cidade e também quer participar e melhorar a sua qualidade de vida, afirmou o delegado Renato Cagnacci, titular do 2º DP e membro nato do Conseg Leste.

Wilson Brasil, presidente do Conseg Leste, acredita que as reivindicações de caráter social, como a instalação de semáforos na avenida Marcos de Paula Rafael, no Mary Dota, estão ligadas indiretamente com a segurança pública.

O trabalho dos Consegs da cidade tem apresentado resultado imediato porque a comunidade trabalha e confia ainda mais nas polícias Civil e militar, completou Brasil.

Para o tenente Alessandro Rosseto da Silva, comandante da Base Leste e membro nato do Conseg Leste, a população estava desacreditada no trabalho do Conselho da região, mas que está voltando a se interessar em participar e reivindicar.

O Conseg Leste estava destituído em atividades, apesar de existir no papel. Foi reativado em dezembro do ano passado e contou com a participação de várias pessoas da comunidade Leste. Como ficou muito tempo parado, houve descrença da comunidade e dos órgãos públicos. Mas isso será revertido, conforme for se consolidando, concluiu o tenente Rosseto.

Saiba o que é o Conseg

O Conseg é uma entidade que atua na área de segurança pública. É constituído por policiais - civis e militares (membros natos) - e lideranças empresariais, de clubes de serviços, entidades e da comunidade em geral.

Os Consegs foram criados em 1985, no governo Franco Montoro, através do decreto estadual n.º 23.455 e são coordenados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. As reuniões são mensais. Nas reuniões são lidas a ata da reunião anterior e cada membro do Conseg aponta os problemas da cidade, geralmente ligados à segurança. Os membros do Conseg podem, por exemplo, solicitar ao prefeito ou à empresa responsável pela iluminação pública providências para uma determinada rua que esteja com lâmpadas queimadas. Assim, de acordo com as polícias Civil e Militar, os crimes são prevenidos, pois a falta de iluminação facilita a ação dos marginais.

Também nas reuniões do Conseg, polícia e comunidade analisam assuntos como o aumento no número de assaltos de determinada região e definem qual a melhor ação. Através do Conseg, a comunidade pode ter maior participação junto aos problemas de segurança.

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