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SAÚDE POLÊMICA

José Fernando Casquel Monti
| Tempo de leitura: 3 min

Ao indignar-me com a agressividade gratuita e obtusa que recheia a carta do sr. Pedro Romualdo, publicada nesta coluna em 9 de março último, teria motivação, de variadas ordens, para responder publicamente. Poderia fazê-lo como médico, dado o caráter leviano e deselegante do qual se utiliza ao classificar a categoria médica como uma máfia de branco. Igualmente, poderia valer-me da condição de ex-coordenador da Secretaria Estadual de Saúde, que possibilitou-me participar, em posição privilegiada, de todo o processo de descentralização da saúde, ocorrido nas décadas de 80 e 90 em nosso Estado e, assim, conhecê-lo profundamente. Entretanto, limitar-me-ei a fazê-lo na condição de presidente municipal do PMDB, por entender estar atendendo a um dever ético, histórico e político para com a sociedade. Por ignorância ou má fé, o sr. Pedro Romualdo cometeu esquecimentos imperdoáveis. Por certo a lista de aliados do dr. Luiz Fernando Ribeiro é bem mais extensa que os ex-governadores Quércia e Fleury. Esqueceu-se de mencionar Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Valdir Pires, Raphael de Almeida Magalhães, Hésio Cordeiro, José Aristodemo Pinotti, João Yunes, Herval Pina Ribeiro, entre tantos outros, especialmente porque eram estes os peemedebistas que se empenhavam, à época, na transformação de um perverso sistema de saúde. Aqui mesmo, em nível municipal, seria imperdoável esquecer as alianças com Rubens Maria Lopes (então diretor regional de saúde) e com o próprio David Capistrano (para quem não sabe, o Dr. Luiz Fernando Ribeiro tornou-se dirigente do então INAMPS, dentre outros méritos, também pela indicação e apoio que deles mereceu).

Faça-se a justiça histórica. O processo de descentralização e municipalização da saúde foi engendrado nas entranhas do PMDB e por ele conduzido. Foi (e ainda o é), o PMDB, o partido mais comprometido com processos de desmonte do poder autoritário em nosso País. Ocupava a municipalização, nesse contexto, um papel estratégico da maior relevância. Assim não fosse, como poderia ser explicado o mesmo fenômeno na grande maioria dos municípios paulistas, quando era o Estado governado pelo PMDB? Seria mera coincidência o processo se eqüivaler em Bauru e no resto do Estado? O prefeito da época, Tuga Angerami, não era também do PMDB, na ocasião do dr. David ocupar a Secretaria de Saúde?

Da mesma maneira, por dever de justiça, não se pode subestimar a importância das centenas de soldados que participaram dessa luta. O sr. Pedro Romualdo sabe, por certo, que as transformações não se fazem pela atuação pessoal e isolada de quem quer que seja, por mais qualidades que possa reunir. Tratam-se, antes, de processos históricos nos quais pesa a soma da contribuição de cada um. Cada funcionário, cada profissional, por mais humilde que fosse, contribuiu decisivamente na construção da rede municipal de saúde. Aliás, alguns deixando de lado seus interesses pessoais ou imediatos. Neste particular, é obrigatória a citação do desprendimento do dr. Luiz Fernando, que optou claramente e sem hesitação pela causa pública, sacrificando suas atividades particulares e deixando em plano secundário sua clínica privada. E caminho diferente não se esperaria de quem, desde os tempos de Faculdade, se empenhava nas lutas que conduzissem a uma sociedade mais justa. Não pretendo, antes que seja mal interpretado, questionar o direito do sr. Pedro Romualdo em propor a denominação do Hospital Regional. E, muito menos, diminuir a importância do dr. David Capistrano, de resto reconhecida nacionalmente, até mais pelo que fez fora de Bauru. Contudo, não poderia deixar de dar o meu depoimento sobre a verdadeira história de um momento político tão rico, rechaçando, assim, o entendimento simplista de um processo tão complexo e, também, fazendo justiça ao trabalho de tantos, visíveis ou anônimos, que tanto fizeram pela área de saúde.

Acredito que as pessoas comprometidas com a transformação positiva da sociedade, bem como, com a democracia, valores tão citados na carta do sr. Pedro Romualdo, têm uma obrigação primária: o compromisso da honestidade histórica. Esta nunca pode se estabelecer por fatos circunstanciais e interesses imediatos. Ao contrário, ela só se constrói no justo e honesto resgate das ações dos homens que protagonizaram nosso passado. (José Fernando Casquel Monti - Presidente da Executiva Municipal do PMDB Bauru)

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