Geral

Profissionalizando a massa

(*) N. Serra
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Há, no Ministério da Educação, o propósito de expandir, agora bem mais, o ensino profissionalizante noturno. A idéia ganha aplausos nacionais, principalmente porque, face ao deslanche do desemprego, ocorrendo com velocidade, quase de Fórmula Um, na maioria dos campos de trabalho, a preparação maior de mão-de-obra para diversificados setores coincide com as necessidades de milhões de pessoas que poderiam tentar ganhar seu sustento em outras áreas, ou seja, onde quer que pudessem encontrar acolhida profissional diferente da atual.

E há outro aspecto válido na questão, como seja o aproveitamento de horas noturnas pelos que não possam abrir mão do trabalho diurno, o que quer dizer que a iniciativa abriria campo para quem não tenha profissão definida e para os que, já a possuindo, anseiem a ampliação de seus conhecimentos. Trata-se, em suma, de uma abertura maior do aprendizado profissional, em dimensões bem superiores à levada a efeito por Getúlio Vargas quando viabilizou a eclosão desses elogiáveis Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e Serviço Nacional da Aprendizagem Comercial, além de outros órgãos paraestatais, ainda hoje responsáveis pela formação profissional de uma enorme legião de valores, a maioria dos quais, ou quase todos, aí exercendo funções importantíssimas nos campos em que se especializaram.

Ainda não se conhecem detalhes do novo arranco, que depende de estudos conclusivos, passíveis de conduzi-lo ao ponto ideal, aquele que assegure a conexão da idéia com a sua efetiva concretização, além de garantir a permanente sustentação dos índices de expansão que vierem a ser conseguidos. Mas, o entusiasmo da equipe se tem mostrado tão bem dimensionado que já não se admite venha os estudos a parar agora, quando, para acabar o edifício, só falta a pintura... Logo, nada poderá concorrer, a esta altura, para que o Governo venha a deixar de colocar esse tipo de ensino ao alcance de todas as camadas. Com tanta falta de emprego saltando aqui e ali, e, conseqüentemente, muita gente xingando a política econômica do presidente, a profissionalização da massa teria mesmo de ser implantada, e com urgência, pois que poderá transformar-se numa repetição de Cireneu, ajudando o governo a carregar sua pesada cruz no caminho do calvário, como se apresenta... A solução, então, é levar a oportuna idéia ao terreno da concretização com coragem e determinação. É a nossa opinião.

(*) 0 O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista da Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

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