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Tiso diz que trabalha na fronteira

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos pioneiros do uso de sintetizadores na música brasileira, Wagner Tiso é um quixotesco colaborador do desenvolvimento da música nacional. No momento, concilia o arranjo do novo disco de Gal Costa com a divulgação do seu novo CD solo, em que interpreta e recria músicas dos monstros Villa Lobos e Tom Jobim.

O músico mostra o show deste trabalho hoje, às 21 horas, no Sesc Bauru, acompanhado do Rio Cello Ensemble, um quarteto de cellos.

Em entrevista ao JC, na tarde de ontem, ele comentou a relação entre música popular e erudita, a decisão de vender seu CD em bancas de revistas e falou dos caminhos da eletrônica.

JC Cultura - Como você concilia o trabalho no gênero erudito e popular?Wagner Tiso - Eu transito bem nas duas áreas. No momento, por exemplo, eu estou produzindo e fazendo os arranjos para o disco da Gal. Ao mesmo tempo, eu tenho feito composições para orquestras sinfônicas. Eu acho uma bobagem a divisão. Eu trabalho mesmo nessa fronteira. Eu gosto de fazer música erudita com formação popular e música popular com formação erudita.

JC Cultura - Você acha que isso contribui para a música?Tiso - Claro. Porque você pode filtrar o máximo que você puder de harmonias. O Villa Lobos fez isso. Viajou pelo Brasil afora, escutando a música do interior, a música folclórica, e botava aquilo com uma formação super-erudita.

JC Cultura - Por que você optou por vender o seu novo CD, Tom Jobim-Villa Lobos, em bancas de revista?Tiso - A distribuição na minha área está muito fraca. A música está tão mercantilizada hoje em dia que o lojista quer vender o que vende mais rápido, quer renovar o estoque toda hora. Quando chega um disco desse, ele pega um, outros nem pegam. Agora, tendo na banca, uma pessoa que nunca ia comprar o seu disco, compra. Com uma revista, que traz informação que eu gostaria de passar. Além de vir com um preço acessível. É uma nova fórmula.

JC Cultura - Você foi um dos pioneiros do uso de sintetizadores no Brasil. Independente das escolhas que você tem feito na sua carreira, investindo em projetos acústicos, você acha que a música eletrônica vai conquistar seu espaço? Tiso - A música eletrônica veio para ficar. É como perguntar: a Internet vai funcionar? Não tem mais como sair, já é um caminho sem volta. Se é bom ou se é ruim é outro detalhe. Com a música eletrônica é a mesma coisa. Ela tem a sua serventia, ela tem momentos irritantes, como a música acústica também tem, tem momentos maravilhosos, gente que sabe pesquisar isso. Eu gosto da música eletrônica quando ela é exatamente eletrônica. Eu não gosto da música imitando o acústico, eu gosto dela com sons eletrônicos, próprios de sintetizadores. Quando você vê uma orquestra de cordas com sintetizadores é feio demais.

JC Cultura - Você e o Egberto Gismonti, que deram uma contribuição para esta pesquisa, saíram desta praia...Tiso - O caminho é esse, experimentar, ver até onde vai e depois voltar para a trilha normal, o caminho da roça.

Serviço

Wagner Tiso e Rio Cello Ensenble, hoje, 21h, no ginásio do Sesc Bauru. Ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00 (matriculados, estudantes com comprovantes e pessoas acima de 65 anos). Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

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