Como se mede uma pessoa? Poderemos mensurar pessoas subjetivamente? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.
Não é um medir quantitativo, mas um medir qualitativo. Ela se agiganta perante você, torna-se enorme, quando fala do que leu e viveu, quando confia a você seus sonhos, seus anseios, seus pensamentos mais secretos... enfim quando faz de você um cúmplice. Também torna-se grande, se o trata com carinho e respeito. Quando ao lhe falar, olha nos olhos e sorri destravada... solta... inteira...
É pequena pra você, quando só pensa em si mesma, e se comporta de uma maneira pouco gentil. Quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a parceria nos sentimentos e nas ações! A afinidade. A sintonia.
Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. Não existe nada mais maravilhoso no amor do que nadar com as mesmas braçadas!
Nada agiganta mais alguém junto a você do que conseguir se divertir com ela, rir muito de tudo e de nada... rir porque estão felizes juntas!
Contudo, nada torna alguém tão pigmeu, frente à você, do que saber que está desviando do assunto que a está incomodando, deixando claro que está fugindo de compartilhar da sua preocupação.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Eu fico, cá comigo mesma, a me perguntar:
- Será que nos enganamos tanto a respeito das pessoas, será que alguém muda assim em tão pouco tempo, ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições enxergando coisas que nem existem, a não ser na nossa vontade grande de ver coisas lindas e eternas?
Um desapontamento pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo. A verdade é que em matéria de sentimentos, todo cuidado é pouco.
Difícil manter o equilíbrio quando encontramos alguém que nos fala à alma e nos faz rir o coração.
Difícil conviver com esta elasticidade: pessoas que se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
É preciso estarmos atentos full time, pois a intuição e a sensibilidade, podem eternizar um sentimento, ou anulá-lo, conforme a medida com que o medirmos.
De uma coisa porém estou certa, temos de ser carinhosos e ternos com aqueles que se aproximam de nós, buscando algo que talvez nossa maneira de ser trouxe-lhe de volta, um sonho esquecido, uma ilusão vivida um dia, ou apenas o reavivar de emoções. Não podemos deixar partir de mãos vazias aqueles que puseram seu coração em nossas mãos!
Campinas, Carnaval de 2001.
(*) Ercília Ferraz de Arruda Pollice - escritora/ poeta/ membro da Academia Bauruense de Letras/ assessora de Arte de Ju Machado-Escritório de Arte