A cocoicultura está mudando as paisagens das propriedades rurais do Interior de São Paulo. Com o aumento do número de produtores da fruta, está nascendo uma associação que visa fortalecer o setor e trazer tecnologia para os pequenos agricultores. A espécie híbrida com polinização assistida é a mais indicada para o clima paulista.
Com o objetivo de fortalecer o setor, os produtores de coco do Estado de São Paulo se organizaram e estão lançando a Associação Paulista dos Produtores de Coco e Derivados (Apacoco). A entidade será oficializada na próxima semana, durante um simpósio sobre o assunto, a ser realizado na cidade de Bebedouro.
De acordo com o produtor José Guedes Nogueira, um dos idealizadores da associação, a entidade já congrega 20 produtores, número que ainda está distante da realidade do Estado. O número de produtores vem crescendo muito rápido e temos vários espalhados pelo Estado. Queremos unir a categoria para conquistar benefícios e desenvolver o setor, disse.
Um dos principais objetivos será a viabilização de projetos que permitam a compra de equipamentos e insumos para a produção do coco. Outra medida que a Apacoco pretende adotar é a popularização da fruta no Estado. Temos a meta de apresentar a água de coco como fonte de alimento a ser incluída na merenda escolar, já que é um produto natural e barato, salientou Nogueira. Também será viabilizada uma central de vendas, que permitirá a divulgação da fruta dentro e fora do Estado.
As metas são muitas e só serão concretizadas com o fortalecimento da entidade. Nogueira quer a participação e a aproximação dos demais produtores espalhados por São Paulo. Tem muita gente que está produzindo sem ter noção nenhuma da cultura. Isso pode gerar um grande prejuízo futuramente, advertiu.
Polenização
Nogueira começou a lidar com coco quando ainda era jovem, no Rio Grande do Norte, onde nasceu. Sempre foi apaixonado pelo assunto e, por conta disso, desenvolveu em sua propriedade, localizada na cidade de Bady Bassit - na região de São José do Rio Preto - um coqueiral de 5 mil metros. A produção é pequena, já que a comercialização da fruta não é o principal objetivo do produtor, que investe na comercialização de mudas.
Para ficar atualizado no assunto, Nogueira viaja com regularidade para o Nordeste, onde assiste a cursos e palestras sobre a cultura. Com a tecnologia de hoje, muitas novidades estão surgindo, ressaltou. Foi justamente dessas suas viagens que ele trouxe as mudas de coco híbrido com polinização assistida, uma espécie que só é produzida em dois lugares no Brasil: em Natal (RN) e em Amontada (CE). Esse trabalho é desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e está dando um resultado muito satisfatório, destacou.
Entre as diferenças do coco-anão e do híbrido destacam-se a precocidade e a produtividade. Nesses dois quesitos, o anão sai na frente. A produtividade do híbrido é cerca de 20% menor que a do anão e o tempo entre o plantio e a colheita da primeira safra é cerca de oito meses mais longo.
No entanto, Nogueira explica que as vantagens do híbrido com polinização assistida supera esses aspectos. O híbrido demora mais para colher. Mas, o tamanho do fruto é quase o dobro do anão e o volume de água é cerca de 30% maior, exemplifica.
A planta híbrida é desenvolvida pela Embrapa com o cruzamento controlado entre anões (tipo amarelo da Malásia, vermelho de Camarões e verde) e gigantes. O processo foi desenvolvido pelo Institut de Recherrches Pour Les Huiles e Oléasineux, da França.
Nogueira salienta que, além da vantagem de produzir frutos maiores, o coqueiro híbrido é mais resistente às variações climáticas do Sul do País. A fibra do coco anão é mais fraca e pode rachar, disse. Além disso, o híbrido tem características que permitem que ele seja aproveitado de três maneiras: sua água para o consumo, a polpa para a culinária e indústrias de cosméticos e a casca para a fabricação de colchão e bancos e para adubo. É o melhor adubo que existe, garante Nogueira.
A fibra da casca, quando reaproveitada, pode ser usada de duas maneiras: para a fabricação de móveis e utensílios, como compensados, divisórias e adornos de jardins (veja boxe); e, em forma de pó, como inibidor de ácaros e fungos de plantas.
Tratos culturais
Nogueira lembrou que para obter resultados eficientes na produção de coco híbrido é preciso tomar certos cuidados. Apesar da planta não ser tão frágil com relação a doenças, é preciso nutri-la com adubação e utilizar o sistema de irrigação para mantê-la num clima parecido com o do Nordeste. No Pára, o índice pluviométrico chega a 3 mil mililitros por ano. Aqui no Sudeste, chegamos a 1,2 mil mililitros. É muito baixo. Por isso, o produtor tem que dispensar atenção especial à irrigação, salientou.
Outro cuidado é com o espaçamento entre as plantas, que deve ser de oito por oito metros. Para cultivar a planta, é preciso ter uma certa paciência no início. A primeira produção só é colhida depois de três anos e meio do plantio. O investimento por hectare chega à casa dos R$ 8 mil.
O pesquisador da Embrapa Tabuleiros e Costeiros de Sergipe, Emanuel Donald, faz um lembrete. O futuro produtor de coco deve ficar atento ao adquirir a muda do coco híbrido. Ela deve ser originária do cruzamento das espécies anão e gigante, e não derivada de outra planta híbrida. Se for derivada de duas plantas híbridas, tem 50% de chances de ser ahíbrido, 25% de ser anão e 25% de ser gigante, explicou.
Serviço
Telefone da Chácara Beija-Flor, de José Guedes Nogueira (17) 258-1625.