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Pesquisa em núcleo de saúde revela o grau de alcoolismo nas famílias

Redação
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Pesquisa feita pela Secretaria Municipal da Saúde, através da Unidade Integrada de Atendimento Ambulatorial e Urgência (núcleo de saúde e pronto-socorro) da Bela Vista, em parceria com a Unesp, revelou que 33% dos pacientes atendidos têm pelo menos um familiar dependente de álcool. Destes, 88,3% são mulheres, sendo 26% adolescentes e 45% adultos jovens (de 21 a 45 anos). Crianças (10,8%) também foram atendidas.

Foram pesquisados 500 pacientes.A pesquisa foi desencadeada devido ao grande número de pacientes encaminhados para atendimento psicológico e que relataram ter familiares alcoolistas.

Quanto aos problemas apresentados, 24,5% queixaram-se de problemas familiares e de relacionamento social, 41% apresentaram quadros de depressão, nervosismo, distúrbios do sono, enurese e transtornos de ansiedade; 7,4% tentaram o suicídio pelo menos uma vez; e 17,4% apresentaram doenças e transtornos psicossomáticos.

A pesquisa apontou ainda que 51,1% desses pacientes conviveram com um pai alcoólatra e o restante com pai e mãe, ou padrasto, entre outros. Destes, 34,65% casaram-se, uma ou mais de uma vez, ou namoraram alcoólatras.

Os dados levantados demonstram que o alcoolismo não afeta somente o dependente, mas também todos aqueles do seu convívio familiar proporcionando sofrimento mental, físico, psicológico e social.

Outro dado considerado importante e intrigante pelos coordenadores da pesquisa é o questionamento do porquê de alguém que conviveu e sofreu por isto, com pelo menos um dos pais alcoólatra, escolher um parceiro afetivo-sexual também alcoolista, ou seja, o porquê de filhos de alcoólatras acabarem por casar-se também com alcoólatras.

Segundo a Secretaria de Saúde, esta repetição-padrão pode ser explicada pelo fato do indivíduo não saber lidar com situações diferentes das que viveu durante toda a vida. Uma situação diferente pode causar à pessoa muita ansiedade, insegurança e um sentimento de impotência perante o imprevisível, fazendo-a preferir continuar com o que lhe é comum, apesar de lhe proporcionar sofrimento.

Resultados práticos

Com base nas pesquisas, é possível um trabalho de intervenção/prevenção, especialmente com adolescentes entre 15 e 20 anos, visando ampliar a compreensão do problema, reduzir o sofrimento psíquico, ajudando-os a lidar com o familiares alcoolistas, e possivelmente evitando a repetição da história na vida adulta.

Segundo a secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, a pesquisa foi desenvolvida durante o ano passado pela psicóloga da unidade de saúde da Bela Vista, Rosângela Maria Barrenha, e pela estagiária Flávia Gonçalves da Silva, esta sob supervisão do professor Osvaldo Gradela Junior. A meta é ampliar a pesquisa neste ano.

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