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Busca por sistemas de segurança cresce

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 6 min

Líder de ocorrências policiais em Bauru, o furto residencial vem movimentando o mercado de sistemas de segurança eletrônica. Para se ter uma idéia, a procura por alarmes e outros dispositivos cresceu entre 30% a 40% nos últimos dois anos e continua numa ascendência progressiva. Restritos até pouco tempo atrás aos bairros nobres, os equipamentos já chegam à zona periférica, vista atualmente como um mercado consumidor em franca expansão - apenas 2% do potencial estaria cercado da parafernália eletrônica. Paralelamente às empresas que oferecem o serviço, a população se resguarda como pode. Cercas elétricas caseiras, muros com vidros e cães de guarda: vale tudo na hora de proteger o patrimônio.

A Ceintel Segurança Eletrônica, há 16 anos no ramo, registrou um aumento de 70% na procura de cercas eletrificadas nos últimos seis meses. A pessoa já tem o alarme dentro de casa, o que afasta os ladrões, mas também quer proteger o quintal. Nesses últimos seis meses, também notamos que os condomínios estão se cercando de sistemas de segurança, o que é uma novidade. Temos instalado pelo menos de dois a três sistemas toda semana, estimou Eduardo Santiago Chaparro, proprietário da empresa. A maior preocupação com a segurança residencial e de condomínios também foi sentida na Alarmax, que trabalha há oito anos com equipamentos de segurança eletrônica. Estamos sentindo uma mudança de consciência em relação aos sistemas de alarme. Há dois anos, 90% dos clientes que nos procuravam o faziam porque haviam sido roubados hoje 40% já nos procuram a título de prevenção. Os sistemas deixaram de ser um luxo da Zona Sul e já estão por todas as partes. Temos clientes no Mary Dota, no Santa Edwirges, no Beija-Flor, Nova Esperança e em muitas outras localidades periféricas. Nós entendemos que isso vem da própria credibilidade em relação ao sistema de segurança eletrônica, avaliou Marcos Betti, que, junto com o irmão Wanderley, comanda o negócio.

A proporção de residências e casas comerciais que buscam proteção é hoje equilibrada, com destaque para os estabelecimentos que trabalham com fluxo muito grande de dinheiro - casas lotéricas e postos de gasolina, principalmente. Até mesmo entidades estão se cercando, como é o caso da Apae, que depois de ser furtada, recebeu, em doação, um sistema de segurança monitorado.

A vigia monitorada, por sinal, é o sistema que mais tem atraído os consumidores, que vêm preferindo pagar um pouco mais pela proteção mais eficiente e moderna. Um equipamento do tipo para uma residência de três quartos sai por volta dos R$ 600,00, mais uma mensalidade média de R$ 35,00.

Com esse custo, o proprietário do imóvel recebe a garantia de que não será vítima de visitantes indesejados. Sensores estrategicamente posicionados avisam a central de monitoramento em caso de penetras e a invasão é prontamente comunicada ao proprietário. As empresas que oferecem o serviço trabalham com viaturas, que são deslocadas para o local imediatamente após o sistema de alerta ser acionado. Todas asseguram que não levam mais do que 20 minutos, independentemente da localização, para chegar ao imóvel vítima. Constatado que o alarme não foi em falso, as empresas, que não trabalham com funcionários armados, acionam a Polícia Militar. Na maioria dos casos, os ladrões nem chegam a consumar o furto; também não é raro eles serem identificados, na seqüência, pela polícia.

Cerca eletrificada

A polêmica cerca eletrificada também está numa trajetória emergente. Ao preço médio de R$ 600,00, elas servem para impedir a ação dos ladrões já na divisa externa. Por lei, essas cercas devem ser instaladas a partir de 1,80 metro de altura, ter uma voltagem apenas para repelir os invasores e ter sua existência comunicada visualmente. Quando em divisa para a rua, há a necessidade de aviso, assim como ele também é necessário quando se tem um cão de guarda feroz dentro de casa, alertou o promotor Paulo Foganholi.

De acordo com ele, que buscou a instalação do equipamento na própria casa depois de uma tentativa de furto, as pessoas não precisam necessariamente de uma empresa especializada para ter a cerca eletrificada. Em face do custo, não são todos que podem pagar pela instalação, mas não vejo qualquer restrição no fato de as pessoas utilizarem seus próprios meios para fazê-las. O aviso, entretanto, é imprescindível se a cerca fizer divisa com a rua. Se não houver o aviso e alguém se ferir, o proprietário pode ser responsabilizado criminalmente. Todos os aparatos para garantir a segurança do patrimônio, por sinal, devem vir sempre acompanhados da prudência. Até quem possui cães ferozes devem ter uma placa de aviso. Agora, se o dispositivo estiver na parte interna da casa, como nas janelas, não vejo necessidade de aviso, ponderou o promotor.

Apesar do direito regular de proteção ao patrimônio por meio da cerca eletrificada, a jurisprudência dos tribunais tem entendimentos sobre a responsabilidade civil dos proprietários em caso de lesões. O advogado Moacyr Caram Júnior compartilha dessa visão e acha que a eventual inexistência da responsabilidade criminal não isenta as responsabilidades na esfera civil. Mesmo que a pessoa (no caso, quem instalou a cerca elétrica) for absolvida criminalmente, nada impede que ela seja condenada a indenizar o invasor por eventuais lesões sofridas. A própria lei civil que me permite proteger minhas posses não me isenta de responsabilidades, confrontou.

Para Caram Júnior, o que vale é o princípio de que toda pessoa que cause mal a outra por ação ou omissão está obrigada a reparar o dano. Isso, segundo ele, se faz justo por salvaguardar situações que, ainda hipotéticas, podem ocorrer. O aviso pode existir, mas o ladrão pode não saber ler. Temos que considerar também que o alegado invasor pode provar que não teve ânimo deliberado de fazê-lo. A questão é conflitante, mas eu entendo que a indenização se faz necessária em caso de uma eventual lesão sofrida, sustentou.

Sistema caseiro

Preocupados em garantir os bens, o marceneiro Adrian Alberto Fernandez e a relações públicas Anauá Moreira criaram seu próprio sistema de segurança contra visitantes indesejados. Residente em um imóvel alugado na Bela Vista, uma construção antiga e de frágil segurança, o casal instalou cercas eletrificadas nas janelas de fácil acesso.

O sistema foi cuidadosamente colocado no interior da casa a fim de evitar eventuais problemas com vizinhos. A descarga de 220 volts só vai pegar mesmo os intrusos mal-intencionados. Lanças pontiagudas também foram soldadas nos muros que cercam a casa e uma rede de arame foi entrelaçada para reforçar a barreira. O casal ainda teve a preocupação de fazer um seguro residencial para salvaguardar o que possuem dentro do imóvel. Como a casa é alugada, resolvemos não investir na troca de portas e janelas. Buscamos alternativas para nos proteger, mas não fizemos isso em reação. Nunca ninguém tentou entrar aqui, mas sabemos que os furtos são comuns nessa rua, disse Anauá, brincando que já tem para o futuro mais um guardião: a cadela vira-lata Shantala, de 2 meses.

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