Geral

Engenharia de pesca

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com o Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o mundo produz cerca de 30 milhões de toneladas de organismos aquáticos criados em cativeiro - número que vem aumentando, em média, 8% a cada ano. É nessa onda promissora que navega o engenheiro de pesca, o especialista na exploração de peixes, crustáceos e moluscos. Seja nas fazendas aquáticas, no mar ou nos rios, é ele quem faz a ponte entre a tecnologia e a extração de alimentos das águas. Para isso, acompanha as diversas etapas da criação, reprodução e captura e planeja novas formas de exploração, armazenamento, transporte e processamento.

Eu trabalho com pesquisa pesqueira, conta José Augusto Negreiros Aragão, do Ibama, no Ceará. Por meio da observação dos pescadores em suas atividades e da utilização de modelos matemáticos, calculo a quantidade de camarão e lagosta que deve ser capturada, de modo a garantir o estoque sem afetar o equilíbrio ambiental. A preocupação em não explorar os recursos marinhos de maneira predatória é a base de nossa atividade. O cuidado com o meio ambiente não é problema exclusivo dos órgãos públicos. Os recursos naturais são finitos e estão escasseando, afirma Ricardo Barreira, consultor em engenharia de pesca no Ceará. Vivemos um momento em que a produção, a tecnologia e a preservação do ambiente devem andar de mãos dados.

O curso

A grade curricular contém matérias comuns a todos os cursos de engenharia, como física, química, matemática e estatística, além de disciplinas da área de ciências biológicas, como biologia, ecologia e zoologia. Meteorologia, oceanografia e fotogrametria também fazem parte do programa, bem como matérias e humanas, como economia. Nas alas práticas, o estudante aprende técnicas de navegação, métodos de processamento de pescado e de cultivo de peixes, moluscos e crustáceos. O estágio supervisionado é obrigatório no último ano.

Duração média: cinco anos

Mercado

As melhores oportunidades estão na aqüicultura. A grande quantidade de açudes e barragens no interior do país favorece o cultivo em cativeiro, principalmente nos Estados do Nordeste e em Santa Catarina, comenta Aragão, do Ibama. Há emprego, ainda, como consultor em empresas que fazem a industrialização e a comercialização do pescado. E, na área de preservação ambiental, em órgãos do governo e em ONGs.

Salário médio inicial: R$ 1.223,41Em alta: Aqüicultura

O que você pode fazer como engenheiro de pesca

Administração e economia pesqueira. Planejar e gerenciar empresas pesqueiras.Aqüicultura - Desenvolver técnicas de criação de animais aquáticos em cativeiro, projetando instalações e pesquisando sua reprodução.Ecologia aquática - Estudar animais e o ambiente aquático para a exploração dos recursos sem danos ecológicos.Extensão pesqueira - Orientar pescadores, visando ao desenvolvimento econômico e social da região.Investigação pesqueira - Pesquisar o potencial pesqueiro de uma região.Planejamento pesqueiro - Elaborar e avaliar programas e projetos em pesca e aqüicultura.Tecnologia de pesca - Empregar técnicas de localização e captura de animais aquáticos.Tecnologia do pescado - Fazer o controle sanitário, cuidar da conservação e da industrialização do pescado.

Aqüicultura

A aqüicultura, que até pouco tempo atrás não passava de disciplina da engenharia de pesca, vem experimentando uma verdadeira manobra radical. Nos últimos dez anos, a produção brasileira de animais aquáticos triplicou, saltando de 13000 toneladas anuais para mais de 40.000 em 1998. Atenta a esse mercado potencial, a UFSC, em Santa Catarina, criou um curso específico para a área, que dura quatro anos e meio e tem um currículo interdisciplinar.

Além das aulas de biologia, bioquímica, fisiologia celular e ecossistemas, o estudante aprende geologia, construção civil, hidráulica, instalações elétricas, desenho técnico rural, administração e economia.

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