Carlos Américo da Cruz, mais conhecido como Woody, é figurinha carimbada nos comerciais de televisão há mais de uma década. Mas há apenas alguns meses ele se tornou uma figura conhecida de Norte a Sul do País. A razão é o simpático professor que ele encarna na campanha do Ministério da Educação na qual relembra as pessoas sobre as leis e práticas de segurança do trânsito. A maneira objetiva sem ser chata com a qual ele aborda as pessoas no comercial o transformou numa figura querida por jovens e adultos. E não é difícil entender porque. Aos 43 anos, esse mineiro radicado em São Paulo desde a infância é, pessoalmente, tão educado e bem-humorado quanto o professor que o fez famoso. Em visita a Bauru, onde esteve na agência MR Tempo, Woody conversou com o JC sobre sua carreira e o sucesso do seu professor.
Jornal da Cidade - Como começou a sua carreira?Woody - Comecei em 1982 como pára-quedista na profissão. O Ugo Giorgetti (cineasta) passava férias aqui na região, no Hotel Estância Barra Bonita, onde eu era coordenador da equipe de recreacionistas. Minha função era animar o local, fazer zona, e eles ainda me pagavam para isso. O Ugo perguntou se eu não tinha interesse em fazer um comercial de TV. Eu disse que não, mas ele disse que quando tivesse um roteiro legal, que se encaixasse no meu perfil, iria me chamar. Ele me chamou para um teste de comercial da caninha 51. Era um filme onde eu fazia um soldado. No batalhão, o sargento chamava os soldados pelo número dizendo que eles estavam em serviço. Quando ele falava: 51 faz companhia para ele, eu dizia: Boa idéia hein, sargento!. Ele ficava bravo querendo saber quem tinha dito aquilo e eu ficava quieto.
JC - O que você achou da primeira experiência?Woody - Achei muito chato, um absurdo, a gente ficou o dia inteiro para fazer um comercial de 30 segundos. Eu pensei: é assim? Aí deixei minhas fotos nas agências e começaram a me chamar para testes. Acabei pegando campanhas boas, do Banespa e das Sardinhas Coqueiro. Eram comerciais de nível nacional e isso foi muito legal.
JC - Aí você virou ator?Woody - Sim, só fiz comerciais desde então, já fiz mais de 250 para a televisão e apresentei programas de televisão, na maioria de telemarketing. Tive a honra de ser o pioneiro dos programas de telemarketing no Brasil, fazia o Tv Card, na Rede Bandeirantes, que ia ao ar de madrugada. Depois, fiz o programa da Casa Centro, o Canal Direto, todos programas de venda.
JC - Você nunca pensou em atuar em outro segmento da dramaturgia?Woody - Eu peguei um segmento que a minoria dos atores pega, que é eventos. Sou muito chamado para ser mestre de cerimônia de convenções, fazer lançamentos de produtos, exercícios de motivação. Eu sou sempre mestre de cerimônia bem informal, acabei pegando essa linha e até acho que não me daria bem em novelas.
JC - Por que?Woody - Eu não curto novelas. Eu acho legal fazer coisas que eu goste. Se me convidassem, eu teria que analisar bem o roteiro... Não sei o que responderia.
JC - E cinema? Woody - Eu adoraria fazer, mas é difícil...
JC - O Ugo nunca te chamou?Woody - Chamou para fazer Boleiros, mas tivemos problemas com agenda. Aí não deu. É uma pena, porque o filme foi um grande sucesso. Ele é ótimo.
JC - E a campanha do trânsito, como você foi para nela?Woody - Foram três dias de testes para todos os atores. Sobraram umas cinco pessoas, o cliente viu e achou que eu tinha cara de professor e fiquei com o papel. Depois do primeiro filme não sabíamos se era aquilo que o cliente queria, quando eles viram, adoraram logo de cara. Ficou uma dica de uma maneira light, sem dar bronca, mas incisiva ao mesmo tempo. Eles vão manter todos os quadros no ar porque o contrato é de três anos.
JC - E como tem sido a repercussão?Woody - Eu nunca tive um recall de campanha tão forte quanto esse, embora já tenha feito comerciais para várias empresas fortes, como a Ipiranga, Golden Cross, Banespa. Outro dia uma mulher casada me viu no shopping e fez questão de me dar um beijo e me parabenizar. Ela disse que a campanha está sendo muito legal para a juventude. Hoje eu fui almoçar e quase nem consegui porque muita gente veio falar comigo. É claro que sempre de uma maneira supercarinhosa.
JC - E como você reage?Woody - Eu adoro, tudo o que o ator quer é o reconhecimento, é sensacional. Profissionalmente também me ajudou muito. Estou sendo chamado para muitos trabalhos.
JC - O personagem não tem um nome, tem?Woody - Não, é só o professor. Assim que o pessoal me chama. Eu até brinco quando vejo alguém sem cinto na rua. O pessoal dá risada.
JC - Os filmes vão continuar sendo feitos?Woody - Não sei, pelo retorno que está tendo eu acho que sim, mas ainda não é certeza. Existe um projeto de programa de educação no trânsito em vista, eu seria um repórter de rua vestido de professor. Mas são projetos.
JC - Você também foi afetado pela campanha?Woody - Agora dirijo completamente bem, dando o maior exemplo. A campanha foi educativa até para mim. Não posso mais cometer erros. Moro numa rua contra-mão, então eu entrava direto porque a minha casa é a segunda. Hoje eu dou a volta no quarteirão. Não posso ser pego errando, além do mais eu sou pai e não posso dar um mal exemplo.
JC - Uma pessoa que queira atuar no seu ramo deve fazer o que?Woody - Um curso. O do Senac é muito bom e você sai de lá com registro de ator, completamente legalizado.
JC - Você nunca deu aula?Woody - Não, mas até estou pensando em dar um curso qualquer dia desses, já tenho prática e afinal de contas são 19 anos de carreira.
JC - E o apelido, quando surgiu?Woody - Um amigo meu achou que eu era parecido com o Woody Allen, deu o apelido e ficou. Agora virou nome, minha mulher me conheceu por Woody, minhas filhas me chamam de Woody, só meus pais e parentes me chamam de Carlos.
JC - Os óculos são sua marca registrada?Woody - São. Eu sempre usei e sempre fui vidrado em óculos, tenho 12 pares, um de cada cor. Quando trabalhava no hotel tinha um par para cada tipo de roupa que usava, usava combinando. Quando fui fazer o teste para o comercial estava usando estes óculos vermelhos mesmo. Eles fizeram altos testes para saber se eu ficava melhor com outros pares e acabaram ficando com estes mesmo. Agora só saio com eles porque curto ser reconhecido.