Consertar e comprar equipamentos, regularizar a coleta de lixo, promover a limpeza de terrenos baldios e praças, tapar buracos nas ruas, buscar recursos para implementar projetos. Assim foram os primeiros meses do prefeito de Barra Bonita, José Carlos de Mello Teixeira (PPS). Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele disse que ainda está colocando a casa em ordem e que é necessário desacelerar o crescimento urbano e fornecer infra-estrutura aos núcleos habitacionais. Leia trechos da entrevista.
Jornal da Cidade - Prefeito, como foram esses primeiros meses de administração?
José Carlos Teixeira - Peguei a Prefeitura com uma série de problemas, o que é praticametne normal quando se assume uma administração pública. A eleição ocorre em 1.º de outubro. O prefeito fica três meses ainda no cargo - um período muito longo em que muita coisa deixa de ser feita, principalmente em manutenção.
JC - O que o senhor encontrou?
Teixeira - Tivemos um gasto expressivo para deixar as coisas em ordem. Os caminhões de coleta de lixo, por exemplo, estavam todos sem condições de uso. A cidade ficou um período longo sem manutenção em terrenos baldios e praças, buracos não foram tapados. Então, quando um prefeito assume e coloca uma equipe nova, leva-se três meses para começar a desenolver um trabalho com resultados. Eu ainda estou colocando a casa em ordem.
JC - O que falta para isso se completar?
Teixeira - Na área da saúde, estamos desenvolvendo um trabalho de melhoria, aumentando a quantidade de remédios, exames e consultas. Na área da educação, estamos procurando ampliar o atendimento em relação a material escolar e transporte de alunos. Também estamos nos preparando para a municipalização do ensino, que devemos implantar no segundo semestre. Estamos acertando um convênio com o Governo do Estado de R$ 500 mil para pavimentação asfáltica dos bairros Sonho Nosso 1, 2, 3 e 4 e CDHU.
JC - Os cinco bairros serão pavimentados?
Teixeira - Não totalmente, mas isso vai possibilitrar uma malha viária interligando os núcleos. Estamos, também, em fase adiantada de um convênio junto à Secretaria de Esporte e Turismo no valor de R$ 650 mil para melhorar a infra-estrutura em turismo. Estamos viabilizando recursos para resolver os problemas de erosão, que são graves. E estamos trabalhando na fase final de implantação da Cooperativa de Tecelagem, melhorando o trabalho de confecção de tapetes que foi foi implantado há oito anos.
JC - E na área social?
Teixeira - Antigamente, Barra Bonita possuía o Centro de Promoção Social, que era uma entidade privada sem fins lucrativos, mas que estava funcionando com documentação e atividades irregulares. Por determinação do Tribunal de Contas, ela foi extinta e começou a funcionar a Secretaria de Assistência Social.
JC - Quais são os principais problemas sociais de Barra Bonita hoje?
Teixeira - A grande maioria é oriundo de desemprego, que leva à carência de alimentação, remédios, cirurgias. A Secretaria vai dar respaldo para resolver esses problemas.
JC - E quais são os projetos daqui para a frente?
Teixeira- O projeto básico nosso é frear o crescimetno desordenado do município, retornando a uma melhor qualidade de vida. E, para isso, nós temos que implantar o aterro sanitário, o tratamento de esgoto, levar a infra-estrutura aos núcleos habitacionais e incrementar o desenvolvimento do turismo no município.
JC - Quais são os índices de crescimento urbano?
Teixeira - Nós tivemos um crescimento de 25%, nos últimos seis anos. Em 110 anos, Barra Bonita construiu 8 mil casas (populares). E num período de 5 ou 6 anos, foram construídas em torno de 2 mil casas (Nosso Sonho e CDHU), ou seja, 25% do que levou 110 anos, foi construído em seis anos. São loteamentos populares ainda totalmente sem infra-estrutura, como creches, escolas, asfalto, onde o transporte coletivo é precário, a iluminação é precária. Barra Bonita é uma estância turistica e não pode ficar assim, descaracterizada. Isso exige, agora, um investimento muito grande.
JC - Em quanto tempo isso deve estar providenciado?
Teixeira - Nós pretendemos, em dois anos, resolver uma grande parte dos problemas.
JC - Existem projetos de construção de novos núcleos?
Teixeira - A princípio não. Somente depois de implantarmos a infra-estrutura nesses bairros é que nós vamos pensar em novos núcleos.
JC - E qual é o déficit habitacional na cidade?
Teixeira - Em torno de mil residências. Essa fase é mais de botar a casa em ordem mesmo. Mas, já estamos providenciando a compra de mais um caminhão para coleta de lixo, de equipamentos de saúde, estamos desenvolvendo campanhas de saúde. Agora é arregaçar as mangas e partir para a batalha. Mesmo porque, a própria Lei de Responsabilidade Fiscal não permite fazer nenhuma loucura. Com a lei, você não trabalha mais com previsão de arrecadação - trabalha com arrecadação efetiva.
JC - Isso ajuda ou atrapalha o administrador?
Teixeira - Como empresário, certamente vou conseguir me adequar facilmente a essa lei, porque o que ela exige é uma administração nos moldes de uma empresa privada, senão quebra.
JC - Barra Bonita corre esse risco?
Teixeira - De jeito nenhum. Eu gosto de trabalhar sempre com pé no chão, com passos de acordo com a realidade.