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Pequenas empresas cresceram 8,9%

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Pesquisa Sebrae-Seade mostra um crescimento no faturamento em janeiro. Números apontam tendência de crescimento

No primeiro mês deste ano, o faturamento das micro e pequenas empresas (MPEs) foi 8,9% maior do que o registrado em janeiro de 2000, na média do Estado de São Paulo. O Interior, que registrou alta de 4,5% teve um crescimento menor do que a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), cuja evolução atingiu 13,8%. Os resultados são da Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP) em conjunto com a Fundação Seade.

Porém, o mês de janeiro teve um decréscimo de faturamento 14,7%, em relação a à média do Estado, em dezembro. Nesse aspecto, os dados do Interior, apesar de muito próximos dos da Região Metropolitana, também foram piores: queda de 15,3% contra 14% na RMSP.

Na análise comparativa de janeiro de 2001 com o mesmo mês do ano passado, por setores, na média do Estado, neste ano houve um aumento de 14,7% no faturamento das MPEs industriais. Nas empresas comerciais, o aumento foi de 2,6% e o setor de serviços registrou elevação de 20,1% no faturamento.

Quando a comparação é de janeiro de 2001 com dezembro de 2000, na média do Estado, a indústria teve retração de 15,2% no faturamento, enquanto o comércio teve redução de 16,6% e o setor de serviços apresentou baixa de 7,7%.

Na análise dos técnicos do Sebrae-Seade, a queda em relação a dezembro tem caráter sazonal, uma vez que janeiro é um mês que concentra férias coletivas nas empresas e dezembro é um tradicional período de elevação de vendas, em virtude das festas de final de ano.

Emprego

A quantidade de pessoas ocupadas nessa categoria de empresas teve uma queda de 0,4% na média do Estado, em relação a dezembro. Mais uma vez, o Interior é que teve o pior desempenho, com queda de 1,7% no número de postos de serviços. Enquanto isso, a RMSP teve crescimento de 0,9%.

De acordo com a Pecompe, na média do Estado, em janeiro de 2001, houve uma elevação de 0,6% no número de pessoas ocupadas nas MPEs industriais, comparativamente ao mês de dezembro do ano anterior. Outro setor que contratou, apesar da tradicional retração da atividade econômica nos primeiros meses do ano, foi o de serviços, com alta de 1%. O grande vilão do desemprego foi o comércio, que apresentou redução de 1,8% no número de vagas.

Os técnicos do Sebrae-Seade também creditam à sazonalidade a queda no pessoal ocupado pelo comércio, em razão do nível alto de contratações realizado pelo setor em dezembro, diante do aumento das vendas no Natal e Ano Novo.

Mas o dado mais significativo quanto ao pessoal ocupado é o crescimento de 6,2% em janeiro, comparado com o mesmo período do ano anterior, explica Pedro João Gonçalves, consultor do Núcleo de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP. Segundo ele, o aumento expressivo no número de trabalhadores nas MPEs, na média do Estado, reforça a tendência de recuperação econômica do setor. No ano passado, as MPEs empregaram cerca de 200 mil trabalhadores a mais que no ano de 1999.

Os gastos com salários acompanharam a tendência de crescimento do pessoal ocupado e apresentaram alta de 16,1%, em janeiro de 2001, quando comparados com o mesmo período do ano anterior. Porém, na comparação de janeiro com dezembro, novamente, o desempenho é negativo, com uma queda média de 32,8% no Estado, sendo que o Interior, novamente, teve o pior desempenho, com baixa de 33,4% contra 32,3 da RMSP.

De acordo com os técnicos do Sebrae-Seade, contribuíram para a recuperação das MPEs, em relação a janeiro de 2000, a expansão da ocupação e massa de salários na economia, que vem ocorrendo de forma moderada, mas consistente, as taxas de câmbio favoráveis às exportações e as taxas de juros, que são as menores registradas nos últimos meses. Apesar disso, o crédito ainda tem um custo muito elevado, o que indica que o uso de recursos de terceiros deva ser objeto de cautela por parte das MPEs.

Consultor recomenda cautela

Para o economista e consultor de empresas Carlos Roberto Sette, o ambiente externo conturbado da economia, neste início do ano, não impediu a continuidade da recuperação da atividade econômica interna. O nível do faturamento, bem como o emprego e o aumento da massa salarial, mantiveram-se em alta, ao analisarmos o comportamento do mês de janeiro de 2001 comparado a janeirodo ano passado.

Para Sette, essa tendência de retomada do crescimento da economia, que vem se dando nos últimos meses nas micro e pequenas empresas (MPEs), é um reflexo do que vem ocorrendo com as empresas grandes e médias. Essa duas categorias de empresas, mais voltadas aos grandes mercados internos e ao mercado externo, puxaram as MPEs atreladas a elas, ou deixaram espaço no mercado interno, que as micro e pequenas estão sabendo aproveitar. Essa previsão favorável deverá continuar por todo o ano de 2001, afirma.

Apesar desse clima otimista, ensina o consultor, as MPEs devem continuar tendo os cuidados de sempre não estocar mercadorias além do estritamente necessário; trabalhar com estoques próximos de zero, o que dará um impacto positivo nos fluxos de caixa; evitar ao máximo os empréstimos bancários para financiar as operações, pois as taxas não deverão ser alteradas no momento (ao contrário, aproveitar o momento para fortalecer o capital de giro próprio); os investimentos em capital fixo devem ser muito bem analisados em relação ao retorno que possam trazer; e não investir sem uma perspectiva realista.

O cenário futuro, analisa Sette, deverá ser incerto no curto prazo e as MPEs devem acompanhar os acontecimentos com bastante atenção, analisando o impacto de tais eventos na economia brasileira e, particularmente, em seus negócios.

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