A saída da família Mamede da Confederação Brasileira de Judô, após 21 anos, foi motivo de festa em todo o Brasil judoísta.
Aqui em Bauru também reuniu-se um grupo de faixas pretas para comemorar com um churrasco e os motivos foram muitos.
A CBJ, que contava com o pai Mamede como superintendente, o filho presidente, a filha técnica e o genro como tesoureiro, que durante duas décadas conduziu o judô com a arrogância e onipotência de Hitler.
Vangloria-se Mamede das 10 medalhas olímpicas conquistadas durante a sua gestão. Entretanto, sabemos que todas foram conquistadas devido ao talento individual e não a uma programação e preparação adequadas. Muitas outras poderiam ser conquistadas.
A modalidade que encontrou grande número de adeptos no Brasil poderia estar num patamar bem mais elevado não fosse a incompetência e ladroagem dessa família.
Quantos atletas deixaram de competir em competições internacionais porque os preços cobrados pela CBJ e a agência de viagem (do Mamede) era bem superiores aos praticados na praça.
Em uma das ocasiões, a judoca bauruense Renata Pereira da Silva (Renatinha) ganhou uma passagem internacional de uma agência local e fomos obrigados a vendê-la e adquirir a da CBJ (bem mais cara).
Somente quem conheceu o Centro de Treinamento (ou Campo de Concentração) de Santa Cruz, no subúrbio do Rio de Janeiro, pode avaliar o descaso com que eram tratados os atletas que treinavam em tatames de palha (a maioria rasgados), tomavam banhos frios (com fila de espera) e se alimentavam de lingüiça toscana (sem poder repetir).
É incontável o número de praticantes prejudicados e nós de Bauru não somos exceções, fomos muitas vezes. Modestamente, o maior fui eu que venci uma seletiva olímpica (para Moscou) e fui impedido de competir após a anulação injusta da minha vitória.
Após esse dia, passei a integrar um grupo de atletas de oposição liderado por Aurélio Miguel.
Eu nunca consegui entender como uma modalidade com tantos princípios filosóficos pudesse aturar um presidente tão medíocre a ponto de ser pego roubando numa loja de conveniências no Japão.
Pode parecer exagero, mas estou resumindo, de fato era bem pior.
Mamede e sua família já vão tarde, não deixarão a menor saudade (nem como folclore) e a nossa esperança é que o judô agora se desenvolva muito, se Deus quiser. (Prof. Artemio Caetano Filho - RG. 8.665.244-8)