O presidente estadual do partido, deputado Edson Aparecido, falou que Bauru é um dos pontos fracos da legenda no Interior
O PSDB está realizando a reestruturação da legenda em várias regiões do Estado e faz parte dessa ação a filiação de novas e ex-lideranças, em função da revoada do ninho em direção a novos ares. O comando estadual do partido está concentrando o esforço nas regiões onde a presença é considerada fraca. Bauru está entre essas cidades, assim como Marília, Araçatuba e outros. Ontem, em visita ao aeroporto internacional de Bauru junto com o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente estadual do partido, deputado Edson Aparecido, falou sobre este processo. O deputado aproveitou para dizer que aqueles que pretendem vestir a camisa dos tucanos precisam comungar com as ações e diretrizes do PSDB no Estado e em relação ao Governo Federal.
Edson Aparecido mandou um recado direto para os candidatos à filiação no partido, afirmando que não serão aceitos rebeldes, aqueles que assinam a ficha mas costumam se sentir à vontade para usar o estilingue contra os próprios tucanos, sobretudo aqueles que têm funções públicas, como o presidente da República, por exemplo. A idéia é que nós consigamos aqui em Bauru um leque grande de lideranças que possam dar ao partido a importância que ele tem e merece na cidade e na região. Agora, evidentemente essas lideranças terão que estar afinadas com o discurso do partido. Nós não vamos admitir que ninguém que esteja dentro do PSDB faça um discurso contrário quer queira ao Governo Federal ou ao Governo de São Paulo. Se fizer isso é melhor ficar fora, ou nem entrar porque nós vamos coibir essas posições. Ou é do partido ou não é. Se for para vir, muito bem, mas tem que vestir a camisa, partilhar das nossas alegrias e dos dissabores também. Grupo político é assim, é coletivo, afirmou.
O presidente estadual do partido não fez nenhuma menção de nome ao traçar a resistência em relação a rebeldes, mas em Bauru todos os tucanos sabem que a fala de Edson Aparecido se enquadra perfeitamente nas posições tomadas por Tuga Angerami, quando este ainda era deputado federal e membro da legenda. Muitos filiados chegaram a ficar constrangidos com Tuga na época em que este criticava de forma enfática as ações do presidente Fernando Henrique Cardoso, mesmo momento em que FHC disputava a reeleição. Tuga recebeu críticas de personalista, num momento em que a legenda tentava unificar a campanha nas ruas, já com divisões internas.
Outra coincidência em relação ao que disse o presidente do PSDB, ontem, em Bauru, é que é exatamente Tuga Angerami quem anunciou, há poucos dias, que vai retornar ao partido, independente de quem também volte ao ninho. Edson Aparecido comentou que o PSDB não vai fechar as portas a Pedro Tobias, Caio Coube e Ricardo Carrijo. São pessoas sérias e corretas em Bauru e o PSDB esteve discutindo com eles o retorno. Nós queremos, sem exclusão nenhuma, o retorno desses líderes, para retomar nossa representação aqui na cidade.
Para o deputado estadual, a perda de lideranças comunitárias, de vereadores, prefeitos, distanciou o partido da base da sociedade. Por outro lado, o partido quer retomar uma ação mais completa e concreta de divulgação das conquistas de governo. Primeiro, assumindo o discurso, claro e firme, de defesa do governo, de seus projetos. Segundo, conseguindo divulgar as enormes conquistas de São Paulo e do Governo Federal. Este é o projeto e vamos executá-lo.
Com isso, o PSDB quer preparar o partido para as eleições do próximo ano. Edson Aparecido comentou que o partido é frágil em locais como os que compõem algumas cidades da região metropolitana de São Paulo e no Interior, em cidades como Bauru, Marília e Araçatuba. Para o presidente estadual da legenda em São Paulo, o PSDB tem que agir para reestruturar suas bases nesses locais. O candidato a governo do Estado é um assunto resolvido para o PSDB, é o Geraldo Alckmin, uma liderança nacional hoje, sem dúvida. Mas não estamos tratando disso neste momento, primeiro queremos reorganizar o partido em locais com enorme fragilidade, como Bauru, disse.