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Taxa Selic: aumento desnecessário

(*) Reinaldo Cafeo
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Efetivamente, não dá para aceitar a lógica do governo quando se refere à condução da política monetária brasileira. Enquanto todos avaliavam que a taxa de juros deveria ser mantida no patamar de 15,25% ao ano (taxa Selic que é a taxa básica brasileira), o Banco Central anuncia a elevação para 15,75% ao ano.

Na prática, para nosso bolso, para as empresas, pouca coisa muda. Se quando rebaixam 0,5 ponto percentual, essa queda, na ponta, é marginal, quando se eleva, espera-se o mesmo comportamento.

Mas há um aspecto que transcende esse lado prático. É o efeito psicológico. Há fortes motivos externos para uma postura mais conservadora (Argentina, EUA, petróleo, etc.), porém, o discurso e poderíamos colocar a constatação prática, indicam que, por mais pressão de curto prazo que possa existir, os chamados fundamentos da economia estão sob controle. E é nesse contexto que entra o aspecto psicológico. A desconfiança de que algo não vai bem. Se efetivamente há confiança na economia brasileira, chegou o momento, apesar da fragilidade de nosso modelo (alicerçado em poupança externa), de caminhar à margem dos fatos externos.

Essa decisão do governo só demonstra uma coisa: insegurança. Isso é extremamente ruim para todos nós. Juro alto por muito tempo é semelhante a dose exagerada de remédios: além de não curar, causa efeitos colaterais indesejados. O Copom (Comitê de Política Monetária) perdeu uma grande chance de capitalizar com a crise.

(*) Reinaldo Cafeo é delegado do Conselho Regional de Economia - cafeo@economiaonline.com.br

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