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Barragem: aceitação e questionamentos

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Questionamentos referentes à segurança, ao comprometimento da estética do parque, assim como sugestões, são levantados

A proposta da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) de construir uma barragem na parte superior do Parque Vitória Régia (ver ilustração) para conter água da chuva, com o objetivo de solucionar o problema das enchentes na avenida Nações Unidas, vem sendo aceita - com ressalvas e sugestões - por entidades e órgãos municipais ligados às áreas de arquitetura, engenharia e Defesa Civil.

O arquiteto José Xaides Sampaio Alves, que representa o Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp - Bauru no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (Comdurb), considera viável a proposta da Seplan. No entanto, faz algumas ressalvas. Eu creio que tem tudo para realmente ser uma solução. Não sei se em todos os aspectos do projeto. Mas, com certeza, ela vai minimizar os problemas existentes na região. Eu tenho algumas dúvidas em relação ao volume de água, se a barragem vai resolver todos os problemas em toda a extensão da Nações Unidas, ou se apenas na parte mais alta. Eu creio que ela vai resolver - e muito - até a Rodrigues Alves. Mas certamente continuaremos com problemas de águas que caem na Nações Unidas depois do piscinão.

Outro aspecto apontado como uma sugestão pelo arquiteto refere-se à questão de segurança e de saúde pública. Eu acredito que deve ser melhor detalhado - e fica como sugestão - os aspectos da segurança daquela área. Como vai ser uma área aberta e é um parque, esse acúmulo de água vai trazer muitos problemas: lixo, areia etc. Portanto, a área deverá ser desinfetada após o acúmulo de água. Isso é uma questão de saúde que deve ser resolvida também.

Xaides dá outra sugestão. Um terceiro ponto de sugestão é que se aproveite a obra dessa barragem - que não é tão barata assim - para fazer sobre ela uma rua - não precisa ser larga, mas uma rua. Pelo menos uns cinco metros de largura. A barragem não precisa ser dessa largura. A gente chama de mesa. E, na Nações Unidas, que se faça uma ligação até o Jardim Panorama, usando esse custo no sentido de melhorar as condições de acessibilidade ao parque. Ao mesmo tempo, se cria um marco importante para o lugar. É um retorno social, já que vendedores de artesanato, artes e até bancas de jornais e livros poderiam ser instaladas ali. Poderia chamar-se algo como Rua das Artes.

O presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, Paulo Eduardo Grava, entende que a proposta deva ser amadurecida. Em princípio, nós entendemos que isso seria uma alternativa para o problema das enchentes em Bauru. Mas ela vai comprometer ou interferir nas condições técnicas do Vitória Régia, que é o cartão postal de Bauru. A proposta não pode prevalecer pura e simplesmente pelo aspecto econômico.

Grava concebe a proposta como apenas uma alternativa e acredita que existem outras possibilidades. Há necessidade que se faça um estudo detalhado para ver se realmente a quantidade de água represada é suficiente para evitar esse problema. Outros estudos devem estar sendo desenvolvidos para que haja alternativas. Eu não vejo como a única alternativa essa proposta. O interessante, no sentido de se fazer captação de água pluvial, é que ficasse embutida, fosse subterrânea, a exemplo de São Paulo. Mas tem um custo muito mais elevado.

Nilson Ghirardello, professor de Arquitetura na Unesp - Bauru e membro do Comdurb, considera viável a proposta da Seplan. Evita desapropriações e obras sofisticadas. Economicamente, é mais viável. Certamente haveria outras possibilidades, mas com um custo muito mais alto.

Ele problematiza a idéia no que concerne à questão estética do Parque Vitória Régia. Esteticamente, eu acho que ela pode ter um tipo de problema. De alguma maneira, ela quebra um pouco o desenho do próprio parque, que tem um desenho mais curvilíneo. É um lugar de orgulho para os bauruenses. E a barragem seria uma barreira até visual. Provavelmente, os técnicos vão achar um desenho mais compatível com o do parque e tecnicamente viável para conter as águas.

Álvaro de Brito, presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, enfatiza a necessidade da obra. É uma obra extremamente necessária. É o único local ao longo das Nações Unidas para que esse trabalho seja realizado. As enchentes da parte baixa da avenida têm origem nessa região. Bom seria preservar o Vitória Régia disso, mas os recursos são pequenos.

Brito destaca a importância do envolvimento da sociedade no desenvolvimento do projeto. Essa proposta deve ser amadurecida, inclusive com uma audiência pública, para envolver todo mundo nessa idéia.

Conheça a proposta da barragem

A proposta consiste em canalizar a água dos bairros das regiões altas que cercam a avenida Nações Unidas - Vila Universitária, Jardim Panorama, Jardim Infante D. Henrique, parte do Centro e do Higienópolis - ao Parque Vitória Régia. A água seria contida pela barragem, de forma que o anfiteatro e a nascente do córrego das Flores ficassem preservados.

A barragem está projetada para conter uma quantidade de água equivalente à maior chuva prevista para a região de Bauru - 100 milímetros por hora. De acordo com o projetista Alberto Bertussi, apenas em casos de chuvas torrenciais o local seria coberto pela água até a altura de cerca de um metro e meio abaixo do nível da calçada, um procedimento que duraria aproximadamente 20 minutos.

A água seria armazenada no Vitória Régia por duas horas e meia e seria liberada lentamente, rumo ao canal do córrego das Flores, que passa sob a Nações Unidas e desemboca no rio Bauru. Diversas providências referentes ao projeto estão sendo estudadas, como a questão da segurança para a população, já que a área é aberta; da limpeza após cada acúmulo de água e da manutenção do local.

Atualmente, o canal que conduz a água das chuvas de forma subterrânea não suporta toda a quantidade de água em dias de temporais. O problema é notado com a destruição dos asfaltos, os acidentes provocados e a inundação da avenida Nações Unidas nas proximidades da rodoviária.

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