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Morte de pacientes afeta os profissionais da área de Saúde

Redação
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Apesar de a morte de pacientes ser um componente do cotidiano de muitos profissionais da área de saúde, muitas vezes ela não é facilmente aceita por eles. É o que acredita a assistente social Carina Beatriz Marques, que concluiu, recentemente, seu trabalho de graduação do curso de Serviço Social do Instituto Toledo de Ensino (ITE), intitulado A visão dos profissionais da área da saúde frente ao óbito no âmbito hospitalar, orientado pela professora Ilda Chicalé Atauri.

A assistente social acredita que, muitas vezes, o profissional da área médica não está preparado psicologicamente para aceitar a morte de um paciente. É necessário trabalhar o ser pessoal deles para que aceitem, uma vez que a questão do óbito é vivenciada quase que diariamente.

Em seu período de trabalho como estagiária, ela notava reações peculiares dos profissionais da saúde quando algum paciente morria. Eu percebia, pelos corredores ou quando eu conversava com eles, que eles sentiam falta daquele paciente, como se ele tivesse deixado uma lembrança. Realmente, alguns médicos sentiam que não é fácil lidar com a morte. Apesar de muitas pessoas acharem que para eles é normal, que é o trabalho deles, nem sempre é assim.

Ela afirma que, muitas vezes, os profissionais da área da saúde - como auxiliares de enfermagem - cujo contato com os familiares é mais intenso -, chegam a comparecer ao velório do paciente, devido à relação afetiva que é construída no âmbito hospitalar. Muitos familiares acabam até se apegando a esses auxiliares. A gente percebe uma ligação muito forte nesse momento.

Carina, que entrevistou assistentes sociais, médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem para a fundamentação de seu trabalho, falou sobre o grande interesse que o assunto despertava nela antes do início da pesquisa. Sempre esteve claro, para mim, que se algum dia eu viesse a fazer algum trabalho ou ler mais sobre um assunto, seria sobre morte.

Ao término da pesquisa, a assistente social conclui que a formação acadêmica não proporciona ao profissional da área médica as condições necessárias para tratar a questão do óbito com a aceitação adequada. Eu cheguei à conclusão de que a formação médica e a formação para a área de saúde não dão condições a esses profissionais para lidar com a questão do óbito. É uma questão delicada, mesmo para eles. Eu acredito que eles poderiam ter uma formação acadêmica melhor em relação a isso, para auxiliá-los a aceitar a questão do óbito.

No entanto, ela não apenas critica, mas propõe sugestões para que esse quadro possa ser revertido. Eu acredito que a formação médica deveria proporcionar um enfoque maior nesse sentido. Talvez, o ideal fosse um trabalho interdisciplinar entre todas as áreas, com psicólogo e assistente social. Apesar de ele ser um profissional, ele é um ser humano e ele também sente.

O médico pneumologista José Eduardo Bergamini Antunes acredita que, apesar do profissional trabalhar com a visão técnica do processo pelo qual passa o paciente, é necessária muita preparação para efetuar esse trabalho cotidiano. Temos que ter muita cabeça fria para saber o que estamos fazendo. Não dá para se envolver, senão você não agüenta. É lógico que não há como evitar um envolvimento de amizade quando você trata de alguém, mas temos que entender a natureza do ser humano e não levar isso para casa. Médicos não são super-heróis.

A grande ressalva feita pelo especialista refere-se a casos que envolvem morte de criança. Quando acontece com uma criança, realmente é muito difícil porque você se envolve muito com ela. Mas, em qualquer caso, a gente respeita muito a vontade da família. Se colocar no respirador confortar a família, a gente coloca. É uma tranqüilidade, para eles, de que não havia mais nada a ser feito.

Quanto à dificuldade de aceitação, citada pela assistente social Carina, Antunes a aborda como uma questão de bom senso. Se você considerar que o paciente morreu porque tinha que morrer, tudo bem. Mas se você se questionar se algo poderia ser feito, evitado ou diagnosticado, realmente é difícil aceitar tão facilmente. Por isso, o bom senso ainda é a regra. Não dá para ser muito frio, conformista. O conformismo pode encobrir uma negligência.

Aceita ou não, a morte é pensada por Carina como um grande mistério para a vida humana. Independente de qualquer época, de virada de milênio, de qualquer coisa, a morte ainda é um enigma para as pessoas e ainda é algo que o homem não conseguiu - e talvez nunca vá conseguir - controlar.

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