Marília - A bibliotecária Maria Eduarda dos Santos Puga estudou os hábitos dos estudantes do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) que utilizam o método Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP).
Através de estudo de caso na Biblioteca da Famema ela fez o seu trabalho de conclusão de curso da Unesp de Marília entitulado Estudo das necessidades e habilidades de busca de informação de estudantes de medicina em metodologia pedagógica. Ela traçou um perfil dos estudantes e constatou um hábito diferenciado do aluno do método tradicional. Segundo ela, o estudante do método ABP tem necessidade diária de informação. Permanece cerca de quatro horas diárias na Biblioteca, enquanto o aluno do método tradicional apenas pega o livro e sai da biblioteca. A média de permanência na biblioteca é de uma hora.
Outra diferença é que no ABP o aluno usa várias fontes de consulta como períodicos, internet, base de dados em cd-room, folhetos, livros, fitas de vídeo, jornais, slides, medline, bases locais, entre outros. Ele não se limita a usar só um livro, justamente por não ter uma bibliografia indicada ele se aprofunda mais, amplia a sua busca, afirma Maria Eduarda.
Em sua pesquisa ela utilizou a entrevista aberta, em que a pessoa fala apenas o que faz, sem indução de qualquer resposta. A bibliotecária explicou que na utilização da técnica do incidente crítico, quando o aluno se reporta à última busca que fez, também há grandes diferenças entre os métodos. No ABP a última consulta do aluno sempre foi hoje ou ontem o que mostra que é muito atual, recente, diário e frequente, já a última busca no tradicional foi semana passada ou 15 dias.
Notou também diferença entre as séries do curso na utilização de livros e périódicos. Na primeira série 93,75% tem necessidade de informação que vem caindo no 2ª e 3ª séries, alcançando uma média de 60%. Isso porque ele já já tem alguma bagagem, e só completa as informações. Ela disse que a consulta em períodicos ocorre o inverso.
Quanto à habilidade de busca 60%dos alunos disseram que foi boa, 23% muito boa. Maria Eduarda explicou que no 1º ano de Medicina os alunos passam por uma capacitação no laboratório de informática e biblioteca onde aprendem a usar as ferramentas disponíveis e como estão organizadas para obterem informações. Quanto ao uso final da informação ajustado à necessidade inicial, 90% disseram que a biblioteca respondeu e quanto à geração de novos conhecimentos 32% classificou como pouco acrescentou e 61% classificou como acrescentou muito. Daí a importância da busca. Em 1996 ainda não tinha PBL e foram registrados 12.806 utilizações da biblioteca A partir de 1997 com a introdução do ABP foram registradas 45.681 consultas, em 1998 - 93.036, em 1999 - 100.952 e em 2000 -130.116. Ela disse que o que despertou interesse em fazer a pesquisa foi o número elevado de utilização. Subentende-se que é um hábito que a pessoa adquire para o resto da vida. Segundo a bibliotecária seu trabalho pode servir de subsídios para outras faculdades que queiram implantar o método. Não há estudos sobre isso no Brasil e os dados levantados aqui na Famema conferem com dados mundiais.