A penitenciária está praticamente dentro da cidade e muitos moradores se sentem incomodados com essa proximidade
Avaré - Há cerca de 30 anos era instalada a Penitenciária I de Avaré. Naquela época, o local era deserto e não havia residências ao redor do presídio. Hoje, a prisão de segurança máxima está dentro da cidade. Ao seu redor há inúmeras residências, onde famílias inteiras vivem e se apavoram com as ações dos presos.
Os moradores não querem ser identificados, temem represálias. Uma das pessoas que mora a 100 metros do portão da PI confessa que está prestes a deixar a casa. Estou aqui há apenas três meses, porém perdi a minha liberdade. O clima é tenso todos os dias. Os presos xingam, batem ferros e fazem um barulho incrível.
A mulher diz que tem dois filhos menores e que não os deixa sair fora do portão. Eles vivem trancados. Não sei o que eles podem fazer. Nos finais de semana é ainda pior. Os ônibus das visitas chegam e invadem a rua. Temos medo de sair de casa. A moradora diz que neste período a penitenciária já passou por duas rebeliões. A gente não dorme. Ficamos tensos e trancados, não sabemos o que fazer. Estou pensando seriamente em sair daqui.
Movimento no comércio
O comerciante, Arlindo Félix da Silva, estabelecido ao lado da PI, diz que não tem motivos para reclamar. As visitas dos presos e nem eles me dão trabalho. Nos finais de semana meu movimento aumenta em função deles. Abro o supermercado mais cedo para que os familiares consigam adquirir os produtos para levar aos presidiários.
Comercialmente, ele festeja a localização do estabelecimento. O comércio está ruim, mas aqui consigo sobreviver. Eles adquirem muito sabonetes, pasta, papel higiênico e guloseimas. A segurança do bairro é reforçada, segundo o comerciante. Eu me sinto seguro porque há polícia o tempo todo patrulhando o bairro.
Nem roubo nem seqüestro
Com cerca de 75 mil habitantes a cidade de Avaré é um dos poucos municípios que ainda não sofreu assaltos a banco e seqüestros, garante o tenente da PM, Luiz Patriarca. Segundo ele, a instalação dos dois presídios, um deles no Distrito de Barra Grande, não influenciou no índice de criminalidade do município.
A preocupação da polícia, segundo ele é com a segurança externa dos presos. A cidade é tranqüila. Nossa preocupação é com os presos do PCC. Sabemos que a presença deles nos coloca em alerta geral. A possibilidade de um arrebatamento de presos não é descartada.
O delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré, Sérgio Lemos, confirma que não houve alteração no índice de criminalidade em função das penitenciárias. Os crimes não têm relação com os presos e nem com familiares deles. O delegado observa que o que acontece muito nos presídios são as apreensões de drogas. As amásias tentam entrar com alguma droga para o preso.