Para ex-prefeito de Iaras, a construção de presídios resulta em benefícios para uma cidade já que movimenta o comércio
Iaras - Se dependesse do ex-prefeito de Iaras, Edilson Granjeiro Xavier, a Casa de Detenção com seus mais de 5 mil presos poderiam se mudar para o município. Foi na gestão dele que o presídio daquela cidade foi instalado. Ele tem opinião formada e fechada sobre o assunto. Acha que a instalações de presídios só traz benefícios. Gera empregos, movimenta o comércio, atrai progresso e proporciona mais segurança para a população.
O discurso do ex-prefeito é baseado na experiência, bem sucedida, na opinião dele, ocorrida em Iaras. Na fase de construção, a obra gerou empregos para 640 homens. O presídio era um grande canteiro de obras, conta entusiasmado.
De acordo com ele, os peões de obra da cidade não foram suficientes. Veio trabalhador da contrução civil das cidades vizinhas. Eles consumiam no comércio e movimentavam a cidade.
Depois da instalação, a penitenciária continuou a oferecer benefícios para a cidade, segundo Xavier. São 300 empregos diretos. Pessoas de outras cidades chegam para trabalhar aqui. Os advogados dos presos e as visitas frequëntam a cidade. Já foram instaladas três pensões. Antigamente não havia nenhuma.
Mas o progresso, no entender do ex-prefeito, não chegou só para Iaras, como também para as cidades vizinhas. Outra vantagem apontada pelo ex-prefeito é quanto à comercialização dos imóveis. Em Iaras não há imóveis à venda ou para locação. Os funcionários da penitenciária estão adquirindo terrenos e vão construir suas casas aqui. Estamos construindo 89 casas populares.
Ele garante que os moradores nunca reclamaram da instalação do presídio, nem mesmo depois de ter ocorrido a primeira rebelião com quatro presos mortos. A rebelião aconteceu dentro do presídio e não teve influência para os moradores.
O único temor de Xavier ainda não aconteceu. Previ que as famílias dos presos mais carentes viriam para cá, uma vez que a prefeitura é uma mãe para a população. Eles não vieram, mesmo porque a Coespe está fazendo rodizio de presos para evitar que as famílias se fixem em alguma cidade.
Poucas palavras
Nem todos os moradores e comerciantes de Iaras quiseram se manifestar sobre a instalação do presídio. Alguns confessaram que se dessem a verdadeira opinião poderiam se complicar. O comerciante, Luiz Eduardo Teodoro, dono de uma lanchonete na cidade garante que o fluxo de clientes em seu estabelecimento não sofreu alteração. Não aumentou o movimento. Ele acha que as visitas dos presos trazem lanches nos ônibus fretados.
A proprietária do supermercado, Maria Aparecida de Moraes garante que não teve problemas com as visitas. Eles consomem muito produto de higiene pessoal, guloseimas e refrigerantes.
Segurança
O efetivo da PM aumentou de sete para mais de 50 policiais militares na cidade de Iaras, depois da instalação da penitenciária. Uns entendem que dessa maneira, a cidade está melhor patrulhada. Outros, sabem que o aumento do efetivo aconteceu porque a PM faz a segurança externa do presídio.
Na opinião do comandante do 7º pelotão, subtenente, Milton Roque Duarte, a presença das visitas dos presos não influenciou no índice de criminalidade da cidade. Não temos registrado problemas com as visitas. Os moradores ficaram tensos no dia da rebelião, mas vieram buscar informações se havia perigo de fuga.
O medo dos moradores, segundo o subtenente era o de que os presos conseguissem sair e invadissem a cidade. O presídio é de segurança máxima e nem se cogitou fugas. A rebelião aconteceu dentro da penitenciária.
O delegado da cidade, Rubens César Garcia Jorge, diz que a quebra da rotina na delegacia aconteceu em função do aumento das ocorrências no interior do presídio. As apreensões de maconha, celulares e as brigas entre eles são registradas aqui.