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Teleconferência interativa sobre reprodução humana

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Roger Abdelmassih, um dos mais importantes especialistas brasileiros em reprodução humana, participou na última quarta-feira, da teleconferência: O Problema do Casal sem Filhos na Busca de sua Solução.

O evento, voltado para ginecologistas, obstetras, urologistas, endocrinologistas e ultra-sonografistas, foi transmitido por circuito interno através da Rede Sesc-Senac de Televisão de São Paulo (STV). A transmissão foi realizada para as sedes do Senac das cidades de Bauru, Jundiaí, Piracicaba, Santo André, Santos, São José dos Campos, Distrito Federal, Campo Grande e Florianópolis.

Abdelmassih falou sobre os fatores que causam e agravam a infertilidade, o que o ginecologista precisa saber sobre indução da ovulação em consultório e quando encaminhar o casal para a reprodução assistida. Também deu uma visão geral das técnicas de tratamento de infertilidade.

Durante a palestra, os participantes puderam fazer perguntas ao médico, que foram respondidas em tempo real.

De acordo com o organizador do evento em Bauru, o gerente regional de vendas do laboratório Serono - Produtos Farmacêuticos, que promoveu a teleconferência em conjunto com o Senac, Edson Amato Filho, o objetivo principal do evento foi o de levar mais informações sobre o assunto aos médicos interessados. Ele afirmou que em setembro ou outubro deste ano, deverá haver outra teleconferência em Bauru.

Amato Filho disse que o produto utilizado para o tratamento de fertilidade que já está no mercado há três anos é feito através de engenharia genética, é moderno e puro.

O coordenador do evento, o médico ginecologista esterileuta Eduardo Crivelari Baisch explicou que a teleconferência pretende estimular o tratamento para infertilidade no consultório médico, já que consiste em um tratamento simples.

Com a administração de algumas drogas, se induz a ovulação, após a relação sexual dentro desse período de ovulação, nos casos mais simples, geralmente oferece resultados positivos.

Ele explicou que o método já é conhecido há algum tempo, mas esse evento traz uma reciclagem e oferece informações necessárias para que os ginecologistas possam realizar a técnica dentro do consultório, lembrando que os médicos devem estar sempre se atualizando em relação ao assunto. Nos casos mais complicados, a mulher é encaminhada a uma clínica especializada, disse.

Sentimento de perda

O médico ginecologista esterileuta Eduardo Crivelari Baisch acredita que apesar de não ser considerada uma doença, a infertilidade tem sido encarada, nos dias atuais, como uma grande causa de conflitos psicológicos importantes, alterando a auto-imagem do casal infértil e influenciando na sexualidade, nos relacionamentos sociais e no completo bem-estar social do casal. Recentes estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para um aumento dessas implicações na saúde da população.

Ele explicou que casais com dificuldades para ter um filho têm os mesmos motivos que os casais férteis para responder a esta pergunta, ou seja, crianças contribuem para a felicidade, eles representam o amor no relacionamento, são um objetivo da vida e dão uma sensação de bem-estar completo. Forçados a responder essas perguntas, esses casais acabam podendo ter problemas sérios.

Ele afirmou que cerca de 10% dos casais têm problemas de infertilidade e, de acordo com a OMS, a infertilidade tem gerado problemas comparados com câncer, problemas cardíacos e hipertensão crônica no que diz respeito ao bem-estar das pessoas.

A psicóloga, que trabalha com os médicos da Clínica Gestar, Maria Cecília Gandolfi Figueiredo, lembra que o mais importante para as pessoas que buscam tratamentos para a infertilidade e querem ter filhos é a consciência.

Para a mulher que se julga independente e decide ter um filho por produção independente, Maria Cecília diz que em primeiro lugar, questiona e traz para a consciência reflexiva se aquele desejo realmente existe ou se é uma transferência de problemas, ou seja, busca de soluções para outros problemas. O papel da psicoterapia é fazer com que a paciente veja a autenticidade desse desejo. Muitas vezes, chega-se a conclusão de que não era exatamente aquilo que aquela pessoa queria.

Já no caso de casais, Maria Cecília disse que é importante preparar os prováveis futuros pais para que saibam encarar a realidade da melhor maneira. O que acontece, geralmente, é que se cria uma expectativa muito grande em torno de uma fertilização e gravidez. Se o resultado for negativo, a decepção é grande, explicou.

Para que isso não ocorra, a psicóloga, quando procurada pelo casal que está se submetendo a este tipo de reprodução, procura orientar e preparar tanto o homem quanto a mulher sobre as duas possibilidades possíveis. O apoio psicológico é importante para administrar os sentimentos de maneira adequada tanto no caso de sucesso da fertilização, como no da frustração da não fertilização, afirmou.

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